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  • Carla Kirilos

VOCÊ SE ACHA “CRINGE”?


Creio que você, assim como eu, não tem nenhuma dúvida de que a internet mudou o mundo, a vivência em sociedade e gerou um impacto revolucionário no processo de comunicação.


Desde a mais remota época, o ser humano conseguiu sobreviver e manter sua espécie, praticamente, depois de se unir em grupos ou comunidades: no primeiro período da história da humanidade, não existiam povos independentes nem estados. A humanidade vivia em pequenos grupos, clãs ou tribos. E hoje não é muito diferente, porque a necessidade de se relacionar e garantir contatos com os grupos é uma marca da nossa história.


É notório que os meios de comunicação deram uma contribuição enorme para o desenvolvimento do ser humano, isso devido ao alcance significativo que têm. Com a chegada da internet, a comunicação deixou de ser um elemento social importante e passou a ser algo essencial.


A diferença para os dias atuais é a velocidade e a forma de como isso tem acontecido, deixando de ser demorado e limitado, para ser mais rápido e fácil. Tudo isso, graças ao avanço da tecnologia e, consequentemente, do surgimento das redes sociais, fazendo com que a distância deixasse de ser um fator impeditivo. Para a maioria dos usuários deste conglomerado de redes em escala mundial, o acesso a elas passou a ser uma necessidade constante.


Pelas estatísticas, com a quantidade de acessos por dia, podemos constatar que as redes sociais deixaram de ser apenas uma forma de manter contatos; elas passaram a ser fonte de informação, atração de novos clientes, publicidade, oportunidade e, também, lazer.


Atualmente, temos a formação de uma nova sociedade, a qual denominamos de Aldeia Global. Ela exerce influência direta no comportamento social, e o comportamento social também exerce influência sobre ela. E se alguém acha que não é influenciado pelo que está nessas mídias, se engana. As mudanças vindas desse meio afetam diretamente o cotidiano, a forma de agir e também a de pensar das pessoas. Indico o documentário “O Dilema das Redes”, exibido pela Netflix, como sugestão para pensar mais sobre o tipo de influência das redes sociais. Vale à pena!


E, exatamente por causa desta influência, às vezes, sutil e outras nem tanto, que me chamou a atenção as discussões do Twitter nos últimos dias sobre o que é ser “cringe” ou ser “proud”. Você acompanhou?


Um rápido resumo: O significado do termo "cringe" ganhou uma intensa repercussão nas últimas semanas. A palavra, de origem inglesa, consiste em uma gíria utilizada para se referir às situações desconfortantes e constrangedoras vivenciadas por determinada pessoa. Usuários das redes sociais tornaram popular o termo, que significa algo como "vergonhoso", em tradução livre. Internautas estão utilizando a palavra "cringe" de diversas formas e em diferentes cenários. O termo está sendo associado com figuras públicas, músicas, filmes, entre outras especificações. A palavra vem sendo usada, principalmente, em discussões entre as gerações Milennials e Z para justificar costumes e atitudes.


Lembra-se de quando você viu as fotos antigas dos seus pais ou avós? Sabe aquela sensação de que eles estavam totalmente “bregas e cafonas”, “demodê”? É assim que os “teens” de hoje nos veem. E, por isso, nos qualificam como “cringe”. Não fique triste com isso! Você também fez isso com as gerações anteriores. É desafiando os padrões e modelos, que descobrimos novas formas de ver o mundo. As relações conflitivas entre as gerações não são necessariamente um mal para a sociedade. Fazem parte da evolução, visto que, se administradas positivamente, colaboram para a aquisição de novos valores e preservação de valores antigos, fazendo parte de um movimento contínuo de manter/cortar/adquirir algo novo que pertence ao próprio círculo vital.


É natural que as tendências variem de tempos em tempos, e é esperado que o que um dia foi usado e desejado por uma geração não seja tão querido pela outra. Ser “proud” (que significa ter orgulho) por muitas coisas que a minha geração conquistou é relevante e significativo, mas não impede que sejamos “cringe” em outras. E vice versa.


E se agora somos "cringe" não foi porque mudamos. Foi justamente porque não mudamos. Estacionamos nos mesmos hábitos e modo de ser e fazer.


Para mim, a principal mensagem que fica da discussão travada nas redes é: não podemos negligenciar a importância de nos atualizarmos em tudo, sempre.


Será que não está na hora de pensar em como garantir que continuemos sendo interessantes para o nosso público? Isso passa por entender os assuntos, interesses, códigos e a linguagem que estão sendo usadas no momento por uma nova geração. Afinal, o que pode ser “hypado“ (algo que está na moda) hoje, amanhã talvez seja "cringe".



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