• Camila Colares

VIVENDO EM TEMPOS DE PANDEMIA


Hoje completamos 06 meses de isolamento social. Desde o dia 18/03/2020, foi determinada a suspensão das atividades comerciais e escolares. Ficamos trancados em nossas casas, aterrorizados contra um inimigo desconhecido e com potencial devastador enorme. A medida foi essencial para que o impacto da pandemia da COVID-19 fosse o mínimo possível. Em situações como essa, precisamos renunciar a interesses pessoais, para beneficiar a coletividade.


Acredito que ninguém imaginava, no início, que a quarentena seria tão prolongada. A esperança de achatamento da curva epidêmica se renovava de tempos em tempos, mas os números não eram animadores.


Entre saídas e entradas de autoridades no órgão público responsável pela orientação e condução técnica de enfrentamento de uma questão tão grave de saúde pública, a população viu-se desnorteada, sem transparência e acesso a informações de qualidade, o que acrescentou ainda mais pânico em uma situação já tão aterrorizante.


Após um prolongado tempo de isolamento social, as pessoas têm sentindo um maior impacto emocional em razão deste contexto. Nós, seres humanos, somos seres sociais e precisamos do contato com o outro, com nossos pares, de viver em comunidade, para ter qualidade de vida. Natural, portanto, que o confinamento prolongado traga consequências a todos nós.


Observando meu filho, de apenas 4 anos, consegui perceber várias mudanças sutis em seu comportamento, que vieram depois de um tempo de quarentena. Ele começou a criar vários amigos e primos imaginários, o que nunca teve o hábito de fazer; quase todos os dias ele coloca brinquedos em sacolas e caixas e afirma que está organizando suas coisas para viajar; ficou muito expansivo com pessoas que não conhece, como entregadores ou vizinhos que encontramos ocasionalmente enquanto estamos brincando na garagem do edifício; ficou muito carente, precisando de nossa presença constante. Eu também fiquei mais sobrecarregada, menos disponível emocionalmente e ansiosa. Nós adultos também sentimos os efeitos dessa situação atípica.


Passei, então, a refletir sobre o assunto. A pandemia é uma realidade atual. Ainda não temos uma previsão de surgimento da vacina e imunização da população. Como equilibrar as coisas? Como minimizar o impacto da COVID-19 na nossa saúde mental, assim como na saúde física? Afinal, a saúde mental também é essencial e merece nossa atenção.


Senti que era preciso encontrar formas de viver em tempos de pandemia. A adaptabilidade é uma característica essencial para a sobrevivência e evolução da espécie humana. Precisamos passar por essa fase desafiante com qualidade de vida.


É essencial ter clareza de que os perigos da pandemia da COVID-19 não acabaram. Ela é uma doença de contágio rápido e que pode ter consequências fatais. Não seria sensato ignorar sua existência e retomar os antigos hábitos como se nada estivesse acontecendo, contando com a sorte para não ser uma das vítimas. É importante conciliar nosso interesse pessoal com a coletividade. Cuidar de nós mesmos, com responsabilidade social.


Por aqui, optamos por começar a socializar com um grupo específico e reduzido de pessoas, que sabemos estarem também tomando os cuidados necessários, preferencialmente em ambientes abertos, com os cuidados recomendados de higienização das mãos, desde que ninguém apresente sintomas respiratórios. Criamos nossa pequena bolha, para que possamos socializar, cuidar do nosso emocional e ainda mantermos os cuidados para reduzir os riscos de contaminação por COVID-19.


Impressionante como essa pequena alteração em nossa rotina fez muita diferença em todos nós aqui em casa. Os amigos e primos imaginários do Theo não nos visitam mais durante as nossas brincadeiras. O encontro presencial tem suprido a sua necessidade de contato com outras crianças.


Aparentemente, estamos num momento de estabilização da curva epidêmica. Cuidemos para que ela continue a melhorar, até que a tão almejada vacina nos traga a segurança de ampliar ainda mais o convívio social. E não podemos nos esquecer também que precisamos nos cuidar com relação a outras doenças que podem ser muito graves, como é o caso do sarampo e da dengue.


A primavera está chegando e trazendo com ela mais do que o florescer das plantas e o colorido para a natureza. Que sejamos resilientes para encontrar formas seguras de retomar o convívio social, mantendo a responsabilidade com a coletividade.


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