• Layla dos Santos

UM AMOR PELAS ERVAS


Não sei exatamente precisar. Sei que foi um resgate. Minha avó fazia uso. Mas, mais ninguém da minha família fazia. Somos muito urbanos, daqui de BH, mesmo. Houve um momento em que eu era bem hipocondríaca. Na adolescência, eu amava uma ARAÚJO. Fui me tornando mulher, mãe. Na faculdade, alguns amigos me apresentaram seu amor pelas plantas: Danúbia, Daniel Santos... Fui parar no candomblé, religião de matriz africana. Lá se faz muito uso das ervas, tudo com muito segredo. Fui casada com um moço que seu orixá é o das ervas, mas ele adorava uma neosaldina. Não fazia uso no dia a dia. Como eu fui gostar disso?


Não sei. Meu orixá? Talvez. Tem domínio das matas. Estou na caminhada há 10 anos, já. É muito gostoso ver a farmacinha de casa vazia. Não tomo antibiótico há anos. Meu remédio passou a ser o alimento, a prevenção, as tinturas, os extratos e tudo de mais natural possível. Tenho até um caderninho onde anoto as receitas.


É bem difícil viver essa lógica dentro da cidade, porque se você tá doente, precisa repousar para descansar e o trabalho e as atividades da cidade não te deixam. É por isso que eu não gosto de trabalhar muito. Vejo minhas colegas de profissão “dobrando” em duas ou mais escolas, e pra quê? Uma grande parte do salário é só pra pagar remédio e psiquiatra. Não acho inteligente. Gosto de escutar o meu corpo e respeitar o meu ritmo. Gosto de dormir bem, comer bem, e viver uma vida simples, mas bem equilibrada. Esse ano tem sido um ano difícil por um lado e rico por outro. Estudei, fiz cursos de hortas, de como fazer mudas, plantei muito, inclusive frutíferas pelas ruas.


Quando você planta, seus males espanta. É muito bonito ver o ciclo de uma planta. Da semente até a flor. Tem plantas de ciclo curto e ciclo longo. Às vezes, você acha que não tem mão boa pra plantar e desiste. Eu já tinha desistido de cultivar a Lavanda quando descobri que ela é uma erva que vive pouco. Aí cê pensa: Ahhhhhhh, então o problema não é a minha mão!


Eu gosto de observar as plantas e cresço com elas. Já percebeu como elas buscam o sol? Se retorcem atrás da luz. Enfrentam ventos, pragas, excessos, problemas como a gente mesmo enfrenta. Na minha casa, observo em qual lugar elas ficam mais felizes. É um trabalho de sensibilidade. Plantar é muito terapêutico. Tem uma moça no Youtube que fala que as plantas a curaram de uma depressão. Eu acredito.


Sobre os chás, é outra coisa quando você colhe a erva do seu quintal. Vai lá, pede licença pra planta, prepara o chá, se serve enquanto a admira no pé. Muito diferente de comprar as ervas no mercado. Eu fiquei bem feliz essa semana: a mãe de uma aluna me procurou pra colher folha do meu quintal. Ela estava atrás de “Pariri” que é uma trepadeira que reforça o sistema imunológico, e tem sido muito estudada no tratamento do “câncer”. Dei as folhas e fiz uma mudinha do Pariri, pra ela. Disse que ia plantar com a minha aluna. Ela levou também folha de Moringa e Boldo. Conversamos um tempo, e ela me disse que trabalha em hospital, mas que prefere tratar a família com as ervas.


Foi bom trocar experiências e ver que tem mais gente que pensa como eu e que eu pude ajudar, de alguma forma, com o crescimento e a caminhada de alguém. Ela disse que vai me arrumar muda de Mulungu, um calmante natural. Aguardo, ansiosa, os próximos encontros. Tudo fruto de pé de sonho do coração.











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