• Mariana Veloso

UM AMOR PARA ESQUECER


**Relatos de uma história verídica...


Certo dia, já entediada de ficar em casa, resolvera fazer algo para sanar aquele tédio... E pensou: "Por que não um aplicativo para conhecer pessoas?! Afinal de contas, não deveria ser um bicho de sete cabeças. Qualquer coisa, é só desinstalar." Simples assim...


Começou a saga por aquilo que mais parecia um cardápio, passa para a direita quem lhe interessa, vai para a esquerda quem não agrada. Assim, na ponta dos dedos. Algo tão gasoso e inusitado, que nem era preciso raciocinar sobre. Ela queria “ver no que ia dar”. Até que, depois de alguns dias, acessando aquele quase que um “restaurante virtual”, seus olhos se depararam com uma foto que chamou sua atenção. Dedinho para a direita... E logo veio a surpresa, um match havia acontecido.


Bom, ela pensou: E agora, puxo papo ou espero? Passaram-se cerca de cinco minutos até que seu telefone apitou. Era uma mensagem. Ufa! O primeiro passo foi dado. A conversa ficou fluida parecendo ser com um velho amigo. Algo que só reforçou sua inusitada atitude. “Ah! Foi melhor do que eu esperava”. Pensou.


No entanto, acabou que, com outros matchs, a conversa não havia sido tão legal. A seu ver, não fazia mais sentido continuar no app. Não porque houvera encontrado ali alguém que chamara sua atenção de uma forma mais intensa, mas, porque a preguiça era maior do que a vontade de manter o aplicativo no seu celular. Durar uma semana pode ser um record ou um tempo mínimo, depende do que se está buscando.


A conversa caminhou para o famoso aplicativo de conversas. E, cada vez mais, ficava mais intimista, sincronizada e com certa afinidade. Ela chegou a estranhar muitas e muitas vezes sua empolgação, se contestando e limitando seus impulsos. Dizia para si mesma: “Calma querida! Você acabou de conhecer o rapaz”. Mas, de nada adiantou, conversas que varavam a madrugada, músicas compartilhadas... Áudios, vídeos, fotos. Chegou a experimentar muitas coisas pela primeira vez. Descobriu-se apaixonada. Não entendia muito bem como, já que nem pessoalmente ainda se conheciam, mas só queria saber de sentir e se deixar levar por aquele sentimento, que pela primeira vez, tomava conta de seu coração.


Chegou certo momento em que cabia dizer o que sentia, mesmo se sentindo boba e tola. Achava que compartilhando o sentimento, mesmo sabendo que não era correspondida ou que era meio louca, seria acolhida de alguma forma, e isso traria conforto ao seu coração. Escolheu o momento certo e soltou o verbo de forma sutil. Não disse do sentimento em si, mas quis expressar que sentia algo que não estava sabendo explicar, que o coração disparava e não queria que parecesse uma cobrança, mas que achava certo e prudente dizer sobre.


Como esperado, fora acolhida de forma carinhosa e lhe foi dito que do lado de lá também havia algo, mas que não da mesma proporção. “Ok! Que bom que não estou sentindo algo assim só. Mesmo que em intensidades diferentes.”


As conversas continuavam cada vez mais estreitas. Dos mais variados assuntos: filhos, vida, terapia tântrica, infância, adoção, música, Pink Floyd, tatuagem, amor, empatia, conexão, sexo....Tudo fluía tão naturalmente, que pareciam um ter encontrado um lar no outro.


Após mais de um mês, chegou o dia do primeiro encontro. Não teria como não dar certo, a não ser, pelo nervosismo, ansiedade e medo de que ele não gostasse de sua aparência. Mas, é a essência que vale.


Então, tudo certo! Foi marcado na casa dele, na ocasião, não conseguiu validar que aquele era um território de domínio dele. Apenas queria seguir seu instinto e encontrar com aquele que balançava seu coração de forma doce e forte. Não chegou a pensar na possibilidade de rolar algo a mais. Sua ideia era ir ao encontro, nem se preparou para possíveis aventuras.


Ao chegar, notaram certo estranhamento. Deve ser mesmo inusitado ver pessoalmente, pela primeira vez, alguém que já se conhece tanto. A conversa ia e vinha, como uma dança. Mãos se tocavam, olhares se encontravam. Alguns risos soltos e seu coração, não dava trégua. Estava ali disparado lhe mostrando que o sangue estava sendo bombeado de forma frenética.


Até que o primeiro beijo aconteceu... Como ela havia esperado esse momento! Não mais que de repente, as coisas começaram a esquentar. Até que o convite para ir além foi feito. Ela só conseguia pensar: “E agora?! Eu não me preparei!” Acabou comunicando o fato e recebeu como resposta: “Cê acha que eu ligo para isso?!” Ela cedeu, porque também queria. Mesmo sendo a primeira vez que algo assim, tão depressa ocorria em sua vida. Sexo em um primeiro encontro era algo que não estava em seus planos. Mas, já que sentia que era respeitada. Quis arriscar...


Não ocorreu como queria, reconhece que não estava tão à vontade. E se não foi bom para ela, também não houvera de ter sido para aquele com quem dividiu o momento. No entanto, imaginava que teriam outras oportunidades, afinal de contas, primeira vez nem sempre é boa.


Ledo engano... Nos dias que se passaram, notou certo distanciamento do rapaz, mas não queria acreditar em sua intuição. Pensava todo momento: “Não é possível que me enganei a esse ponto.”


Tentava aproximações e era até bem recebida, não notava que naquele momento, já estava “na gaveta”. As justificativas dadas por ele para o não encontrá-la novamente eram sempre pautadas por não estar bem, estar introspectivo e se adaptando a algumas mudanças que ocorriam em sua vida na época. Hoje, de forma mais racional, ela pensa no tanto que é engraçado quando a gente gosta, parece que não percebe que está fazendo papel de trouxa.


Depois de um tempo notando que ali não sairiam mais encontros, queria “fechar a Gestalt”. Disse a ele que gostaria de encontrá-lo a fim de entregar-lhe uma caneca que mandou fazer, com seu nome e seus personagens favoritos pintados a mão. Notou uma grande surpresa do outro lado, mas sem movimentos oportunos para formalizar o encontro.


Então, decidiu enviar via taxi. Era a melhor decisão que poderia tomar. Junto ao embrulho, foi um cartão que dizia algo mais ou menos assim: “Obrigada pela cordialidade com que me recebeu em sua casa, foi uma aventura para mim. Senti-me acolhida para uma primeira experiência.” No mesmo momento, recebeu um áudio supostamente emocionado, agradecendo imensamente o presente e pedindo desculpas pela enrolação.


Ela acreditou que era verdade que ele não estava bem, indagou-se e pensou se iria continuar as conversas, mas sentira que estivera presa de alguma forma, alimentada por esperanças de mensagens fofas, vídeos de autoconhecimento e áudios que diziam: “Conte comigo, estarei sempre aqui.” Ao mesmo tempo pensava: “Bem, se mantém contato assim, deve ser porquê ao menos sente algo, mas realmente, está em uma fase mais inapropriada.” (Sei que você que está lendo deve estar pensando: Ai...ai, trouxa mais uma vez.)


Com o tempo, as conversas passaram a ser mais espaçadas, o distanciamento ficou nítido. Mas, como é foda quando a gente gosta. Submete-se a cada coisa... Ao percorrer pelas redes sociais, nas quais eram amigos, notara que tinha certa aproximação e carinho vindo de outra moça, sendo, em alguns momentos, correspondida, de alguma forma. Ela pensou: “Mas, pera! Sério?! Não acredito que diante de todo o sentimento que expus, algo assim estaria acontecendo na vida dele e eu seria a última a saber...” (eu conto ou vocês contam?!).


O tempo foi passando e a distância aumentando, só conseguia pensar: “Meu Deus! Até quando vou carregar esse sentimento dentro de mim?!” Nas sessões de terapia, fazia de tudo para se entender, descobriu que seu padrão de comportamento tinha certa influência. Mas, sempre retrucara: “Poxa! Eu sei o que conversei. Não é possível isso?!” (Sim, minha cara. É possível).


Até que, em junho de 2018, resolveu escrever uma carta, na qual se despedia e elucidava os motivos de sua ida. Dizia: “Meu sentimento é muito forte e eu não posso mais viver isso só alimentada por esperanças de algo que nunca vai se concretizar. Por favor, não me mande mais mensagens, muito menos entre mais em contato comigo. Preciso seguir minha vida.”


Pouco tempo depois, ela notou na rede social dele, um namoro assumido. Coisa que antes não aparecia para ela, datava de maio de 2018. Deu-lhe uma frustração imensa em pensar: “Como posso ter me enganado tanto com alguém que tinha o meu coração nas mãos?!”


Foi um fim imensamente doloroso, algo que só evidenciou sua depressão e estado de saúde na época. Carregava uma culpa imensa que não era sua, achava que era a responsável pelo NÃO. Mas, ainda bem que o tempo fecha feridas. E, por mais que a gente pense que as coisas demoram a passar, elas passam.


Hoje, três anos após, é nítido o seu amadurecimento. Tanto que, em suas palavras: “Não me reconheço mais quando olho uma foto minha de 2017.” Fez grandes e verdadeiras amizades que, por ironia do destino, tem certo contato ou sabem dele de alguma forma. Isso só a deixa com a sensação de que nada é por acaso, e mesmo tendo sido imensamente doloroso, a lição fiou.


No entanto, vez ou outra seu coração ainda visita certas memórias, querendo achar justificativas, ou então, se baseando em lembranças. Ela havia encontrado um lar e puxado a cadeira do seu coração para um visitante errado, alguém que não tinha intenção alguma de fazer morada, mas não foi capaz de dizer de forma concreta.


Percebeu que poderia fazer muito e cresceu tanto... Bateu asas e tem feito voos lindos. Por onde passa, costuma deixar seu perfume. Internalizou tudo que viveu. É grata, imensamente grata, por ter se permitido viver e experienciar um amor tão puro e verdadeiro, que lhe fazia sorrir com os olhos. Mesmo entendendo da pior forma, sobre chegadas e partidas, compreende que devolver para o outro o que é dele é o melhor que podemos fazer.


Cada um oferece o que tem de melhor, essa certeza ela tem, só ofereceu amor e verdade, foi sincera, e isso basta para seguir em frente.


Se esse texto disse algo ao seu coração, deixe seu comentário e compartilhe com as pessoas a quem você acredita que ler isso faria bem. Terei prazer em responder você!


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