• Dayane Carvalho

TUDO O QUE ELA QUER SÃO NOVOS BILHETES


Ser mulher é um processo de reencontro cotidiano. Temos a possibilidade de bravamente destruir e transformar qualquer realidade opressora à nossa frente.


Um bilhete amassado, era isso que sobrara em suas mãos.

Os garranchos estranhos com um número de telefone, um nome e um “eu pago”, centralizado no final do bilhete, era a prova do que ela poderia sentir. Sentiu-se desrespeitada e angustiada. Sentiu repúdio e vontade de chorar. Nojo. Talvez, tudo isso de uma só vez.


Futuro ou presente, todos agora saberiam de um passado onde quem lutou foi ela, sem ajuda, sem roteiro, sem direção, sem nenhuma habilitação ou noção. Os que mal a compreendiam e a julgavam sem saber, eram satisfeitos de seu estado psicológico. Os patológicos demonstravam sorrisos, mas sua mente gritava aterrorizada.

Ventava muito na cidade mais linda de Illinois. Seus gritos eram levados sem ninguém prestar atenção ou compreender o que ela gritava.


Ela tinha a sensação de viver uma batalha. Uma batalha sem fim - sem bandeiras brancas no final e apertos de mãos amigáveis - todo banhado a sangue e lágrimas. Tentando não ser o que sempre foi.

Permissiva.

Objetificada.

Sexualizada.

Procurava tantas respostas, que já nem sabia mais com o que se importar, o que relevar e elevar. Procurou respostas que nunca teve. Só queria respirar o ar que nunca respirou. Aquele ar aliviado de poder viver em paz, segura. Passou a se conhecer, a lidar, a se encaixar. Porque é assim que uma “boa mulher” deve se comportar.

Deve sustentar, sozinha, o peso de ser.

Se ela não se fortalecer, ela perde. Ela morre.

Tudo o que ela quer são novos bilhetes. Novas cartas.










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