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  • Mariana Veloso

TRANSMUTANDO SEMPRE...


Lá em 2004, quando decidi que a Psicologia seria a minha profissão, sempre me imaginava atuando em um consultório. Minha mãe conta que eu sempre dizia que queria ajudar as pessoas e, segundo ela, esse foi o motivo da minha escolha pela Psicologia. Bom, em um ponto ela tem razão, eu sempre gostei de ajudar as pessoas, mas vejo que como Psicóloga, minha profissão é estender a mão, acolher, ouvir sem julgar e permitir que a cura aconteça através da fala... Para que a pessoa encontre por si mesma, maneiras de se conhecer, transmutar. Vejo tanto isso no consultório, todos os dias. É lindo perceber o poder de mudança do autoconhecimento, do amor próprio, do perdão. Dessa maneira, ouso, inclusive, dizer que fui escolhida pela Psicologia. Amo a minha profissão.


Durante um período, cerca de nove anos, eu trabalhei na área social. Sou imensamente grata, pois aprendi muito e fiz boas a verdadeiras amizades. Compreendi mais ainda as dores e limitações do outro, já que meu foco de trabalho eram as Vilas e Favelas aqui de Belo Horizonte. Já no fim de 2016, estava bem saturada de exercer a mesma atividade há tanto tempo, sentia que precisava de algo a mais para me satisfazer profissionalmente. Aproveitei o fim do contrato para tentar me reencontrar...


Mas, e agora? O que eu faria? Fiquei alguns meses em dúvida sobre qual caminho seguir, até que uma forte intuição me remeteu àquele sonho do início da faculdade. Então, por que não atender no consultório? Foi aí, que em 2017 eu recomecei, praticamente do zero. Senti-me quase uma recém-formada, voltei a depender dos meus pais em praticamente tudo, foi um período bem desafiador, me senti impotente, desqualificada, em dúvida, muitas vezes, se tinha feito certo em seguir minha intuição e ouvir meu coração. Percebi que todos esses desafios me ensinaram profundamente.


Nos primeiros atendimentos no consultório, me dava um frio na barriga, mas ao mesmo tempo, me sentia amparada, não só pelo meu conhecimento teórico, mas também, por todo o aprendizado que adquiri na área social. Que, mesmo não atuando como psicóloga, me deu noções muito dignas de compreender melhor o outro. Além disso, conto com o apoio dos meus, e isso me fortalece imensamente. Cresci com cada paciente, aprendi com cada história. Fiz cursos, fortaleci laços, me conectei com pessoas incríveis...


Desde então, tanta coisa aconteceu, noto um amadurecimento tão forte em mim, no pessoal e profissional. Tanto que nem me reconheço nas fotos de 2017. Outro dia, ouvi um áudio que mandei para uma pessoa, até minha voz mudou. Meus amigos mais próximos me dizem isso sempre que têm a oportunidade, gosto tanto de ouvir. Uns falam que mudei tanto, amadureci tanto, que até meu jeito de andar é outro. De fato, noto muito isso em mim. E, com muita alegria, aceito cada um destes elogios e concordo com eles. É lindo me ver todos os dias florescendo. Foram realmente, tantas mudanças internas e externas, que coexistem e me mostram todos os dias o poder do autoconhecimento e a resposta que o tempo traz com o amadurecer. Eu “abri as asas e deixei a minha alma respirar”.


Compreendi a premissa que diz “Tudo vem no seu tempo” e, aprendi a aceitar que não posso controlar nada. Com isso, percebi o quanto cresci e como a vida é generosa em nos dar lições. Ela não pune, ensina. Estabeleci um combinado comigo mesma, e agora eu honro o meu amadurecimento, amparo as minhas dores, celebro o meu potencial e me acolho sempre que a “barra fica pesada”. Parei de me julgar ou tecer na minha cabeça, outros caminhos onde eu poderia não sofrer, ou ter conquistas melhores que as de atualmente. Celebro minhas conquistas com a gratidão que elas merecem.

Aceitei que precisava aprender, e foi essa forma que a vida encontrou para me ensinar. Aprendi que SER vale muito mais do que TER, e hoje em dia, eu agradeço com todo o meu coração, por tudo o que sou, pela família que tenho, pelos amigos que reconheço como parte de mim e o caminho que estou seguindo, que tem cada vez mais, feito o meu coração pulsar de alegria.

Hoje, me olho no espelho com a certeza de que faço o melhor que posso, dentro do grau de maturidade que ainda me cabe e, por isso, já não me cobro tanto, pois, respeito o meu tempo.

Incluí AMOR PRÓPRIO na minha vida, e não há nada que eu goste mais do que a minha companhia.













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