• Tatiana Sansi

SONHOS NÃO ENVELHECEM!


Se você me perguntar, qual a primeira lembrança que me vem à cabeça quando penso na minha infância, seria: Minhas tarefas domésticas! Sim! Estranho, né? Mas você, mulher, pensando um pouquinho e resgatando memórias, vai se recordar de alguma, ou várias situações em que deixou de “brincar” ou se “divertir” para executar alguma atividade em função de alguém.


Eu cresci vendo minha mãe trabalhar muito, muito mesmo! Ela parou de estudar no ensino médio para contribuir com as despesas de uma família de quatro mulheres. Casou-se aos 26 anos e, pouco tempo depois, eu já chegava a esse mundo. Três anos depois, foi a vez do meu irmão. Dois filhos, marido, casa e trabalho. A realidade da grande maioria das mulheres.


Fomos criadas para cuidar, limpar, organizar... E mesmo com tantas coisas evoluindo, outras tantas continuam caminhando a passos lentos. As contas passaram a ser divididas, já as tarefas domésticas, filhos, e tantas outras coisas, ficam empilhadas em nossas costas.


Quando e como realizar nossos projetos e sonhos? Aliás, um dos grandes sonhos da minha mãe, sempre foi concluir o ensino médio e cursar o curso de paisagismo. Eu fui educada em uma dinâmica básica de ir pra escola, voltar, lavar louças, arrumar casa, limpar quintal… enquanto meu irmão jogava sua mochila, e já ia pra rua soltar pipa, jogar bola. Quando terminava minhas tarefas domésticas, me debruçava nas atividades escolares, e por fim dormia. Essas, basicamente, são as memórias de uma menina que cresceu em meio a misoginia de uma sociedade patriarcal. Até aqui, alguém se identificou?


Casei-me em 2014 e fui mãe em 2018. Até a maternidade eu tive uma vida acadêmica e profissional muito satisfatória. Consegui me formar em duas universidades, me especializei, coordenei projetos do terceiro setor e tive resultados extremamente positivos. Mas, quando me tornei mãe, percebi que comecei a colocar em prática tudo aquilo que havia desconstruído da minha infância, novamente, no meu dia a dia.


Cuidar da filha, trabalhar, cuidar da casa, das louças, do quintal e deixar tudo que me potencializa para o final. Pegava-me com as unhas por fazer, o cabelo sem corte, os projetos na gaveta. Comecei a reproduzir os padrões de comportamento que eu mesma sempre abominei. Mas sabe? Isso é inconsciente! Por mais que tenhamos conhecimento em diversos campos, o patriarcado trabalha silenciosamente.


Resolvi mudar! Quando consegui identificar que estava me sabotando, foi um grande passo para a mudança. Se perceber! Essa mudança afeta, atinge, alcança a todos ao nosso redor! Se eu estou feliz e satisfeita, também, de forma inconsciente, toco e transformo a vida de outra mulher. Hoje, tento colocar minhas escolhas pessoais sempre em primeiro lugar, como escrever para o blog (parênteses para esse presente de 2021), cuidar de mim, da minha saúde, da minha mente e espírito. Hoje sou grata por entender que posso me desvencilhar das armadilhas do patriarcado e potencializar tantas outras.


Esse texto foi inspirado na conquista de hoje, da minha mãe. Em 2019, ela conseguiu concluir o ensino médio e hoje fez sua matrícula no curso de paisagismo que tanto sonhou! Sonhos não envelhecem! E, lembre-se, que o maior aprendizado para nós mulheres, é saber que tudo o que nós precisamos está dentro de nós mesmas! O mundo é que tenta nos convencer do contrário! Acredite!















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