• Carla Kirilos

SIM, MEUS CABELOS SÃO GRISALHOS


Lembro-me de cor da data: 14 de dezembro de 2017.


Algumas decisões que tomamos são marcantes e precisam, às vezes, de uma atitude até um pouco impulsiva. E assim foi, quando decidi que não iria mais pintar meus cabelos.


Entrei no salão e disse para a minha cabeleireira, que no dia seguinte teria um casamento para ir, que iria pintar o cabelo, e aquela seria a última vez. Imediatamente ela deu uma risada e disse:


—Duvido! Você não vai aguentar. Vai ficar parecendo gente velha.


E aquela afirmação dela foi o maior motivador para, desde então, não ter mais pintado os cabelos. E já são quase 3 anos.


Do que ela disse, o que mexeu tanto comigo? Sem dúvida foi o ...”vai ficar parecendo gente velha”. E por quê? Primeiro, porque não gosto do termo “gente velha” (em minha opinião não existe gente “velha”; o que existe é gente em fases diferentes da vida) e depois, porque, já que envelhecer faz parte do processo natural da nossa evolução, e vivenciá-lo significará, entre outras coisas, ter cabeça branca, resolvi então que estava disposta a assumir numa boa que logo, logo faria 60 anos e, para fins “legais”, seria idosa. Digo “legais” porque juro que não me sinto e nem me vejo como idosa. Mas isto é assunto para outro texto.


Com exceção do meu marido, tive muito pouco apoio no início. Era visível como as pessoas estranhavam. As mais íntimas até diziam que era melhor eu desistir e voltar a pintar e fazer luzes. Mas eu seguia firme. Determinada.


Precisei cortar o cabelo bem curtinho e passar uma difícil fase de transição, até toda a tinta velha ir saindo. Tempos duros! Sempre fui vaidosa, e meu cabelo estava realmente feio, mas, cheia de personalidade, aguentei bem toda a transição. E hoje, vibro com o resultado. O engraçado é que agora sou até muito elogiada pelos meus cabelos!


E por qual razão estou contando tudo isso para vocês? Gostaria aqui de citar a autora Brené Brown, que, no seu ótimo livro “A Coragem de ser Imperfeito”, afirma: “vencer a vergonha e ousar ser quem você é pode levá-la a uma vida mais plena.”


Assim, uma das coisas que tenho aprendido enquanto celebro os meus bem vividos 61 anos é que envelhecer é aprender a viver de forma independente, com responsabilidade e respeito por mim e pelo mundo à minha volta, com coragem para ver e enfrentar as coisas como elas realmente são.


É prosseguir apesar das incertezas e dos medos, sendo tolerante para com os demais e complacente comigo mesma, aceitando que não preciso estar presa a padrões exteriores de beleza, para me achar bonita, plena e elegante, apesar dos cabelos grisalhos.


Por isto, vou caminhando dia-a-dia, firme no meu propósito de viver de maneira coerente com o que acredito, procurando refletir humildade, equilíbrio e sabedoria.


Claro que esta experiência é muito pessoal! Não é uma regra e nem um modelo a seguir, entretanto, há algo que posso afirmar: Não tenha receio de seguir em frente quando tiver que se libertar de um padrão que, num determinado momento, deixou de ter significado para você. Persista e acredite. Afinal, como está escrito em Provérbios 23:7 “assim como você pensa na sua alma, assim você é!”


E, finalizando, é bom dizer que graças a Deus o cabelo cresce. Se tudo tivesse dado muito errado com a minha escolha, sem nenhum problema poderia ter voltado atrás e assumido que estava errada. Isto também é maturidade.




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