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  • Aruane Amorim

SÁBADO EU SAMBO


Lembro-me de, na infância, sempre que havia uma comemoração familiar ou dos meus irmãos com os amigos deles – sou a caçula - me chamarem calorosamente pra dançar Maria Alcina (sambista brasileira).


Faziam uma roda, colocavam o disco na vitrola, e era show. Porque sábado eu sambo!


Uma sensação de alegria, liberdade e narcisismo - no dicionário, significa amor pela própria imagem inspirado no mito de Narciso e, no século XIX, adotado pela psiquiatria e, posteriormente, o narcisismo se tornou um termo da psicanálise – (que só fui entender, estudando psicanálise e fazendo análise) quando os olhares se voltavam para mim e sorriam, isso me invadia. Porque sábado eu sambo!


Na adolescência, o samba transformou-se em mim dançando axé music, jazz, dança do ventre, sapateado. Através da dança, conheci artistas de fama, viajei para lugares nunca antes imaginados, participei e ganhei concursos de dança de renome.


Entre as variações musicais dançadas, hoje percebo o quanto de samba sempre esteve em meus movimentos: pé, pernas, cintura, braços, mãos e cabeça. Porque Sábado eu sambo!


Depois, na vida adulta, após desencontros comigo mesma, me reencontrei indo aos sambas de roda e pagode; e estar novamente no centro das atenções, mas, agora, nos palcos dançando. Porque sábado eu sambo!


Atualmente não danço profissionalmente. Sou psicanalista, e a arte da dança me levou pra escrita, que é dançar com as letras e as palavras


Hoje, meus sábados não passam de liso e nem

enrugados. Arados.

Arrumo sempre um jeitinho de escutar um sambinha...

Na minha... Ou acompanhada...

Sempre (confesso que nem sempre né?) amada por mim.

Porque sábado eu sambo.



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