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  • Rubia Arce Admin Blog

RETRIBUA-ME


Das reflexões que caminham por esta pessoa que vos escreve


São incontáveis as reflexões que me percorrem todo o tempo. Há de colher um ônus considerável aquele que se dedica a repensar-se com frequência, e a partir desse repensar, recriar-se. Todavia, há de colher um bônus inestimável, também.


Muito me vêm à mente pensamentos sobre os aspectos que a gratidão nos revela. Entendo o ser grato como algo que vai muito além de dizer obrigada, trata-se de uma forma de sentir. E muito se ouve dizer sobre isso, nos últimos tempos.


Essa reflexão que trago hoje, me soa como um despertar de consciência, quando paro por um instante e me permito, não sem dor, sentir a minha existência. Muitos passos são dados, alguns até largos demais. E dentre erros e acertos, desenvolvo meu próprio caminhar. Sempre muito entregue às minhas próprias verdades, fui construindo meu individual e intransferível passear pelas ruelas estreitas da vida. Às vezes, mais estreitas do que se pode mensurar.


Estendendo uma mão aqui, recebendo outra ali, me aperfeiçoo dentro das possibilidades que me vão sendo apresentadas. E acho que é o que muita gente faz. Mas, minha intenção é partilhar algo que lateja em mim nos últimos tempos.


Gostaria muito que a gratidão não forjasse escravos.


Ao longo da vida, recebemos muita coisa de muita gente. E doamos muito, também. Desde a própria vida que nos é permitida a partir do aceite de nossos pais, à criação e educação que recebemos, as pessoas com quem partilhamos nossos caminhos, e que nos oferecem apoio em algum momento, ou que se dedicam, seja a nós, ou aos nossos sonhos, por um período. Ela está sempre lá, a inevitabilidade da gratidão, a nos confrontar.


Em nome de uma gratidão absurda, nos submetemos a relações tóxicas, a pessoas altamente nocivas à nossa vida. Permitimos que nos subjuguem sem o menor pudor, que nos controlem, que nos julguem a todo o momento. Por excesso de gratidão, não poucas vezes, permitimos o sequestro de nossa subjetividade ao entregarmos em mãos alheias, não boas, a nossa própria condição.


Pessoas que utilizam nossas debilidades contra nós, em todas as oportunidades que percebem. E se esforçam a provar, por a mais b que não temos o valor que temos. E, quando acordamos para essa realidade, muitas vezes, não temos forças para sair, porque o instinto dessa gratidão exacerbada nos bloqueia, pois dentro de nós, ela ainda ressoa como uma dívida.


Aprendemos que devemos ser gratos por tudo. Que sem gratidão não se vive. Com isso, a partir do momento em que alguém nos faz um bem, uma dívida é adicionada à nossa consciência. Mesmo quando não é tão evidente, sempre existem pessoas nos dizendo o quanto DEVEMOS nossos pais, o quanto DEVEMOS nossa família, o quanto DEVEMOS as pessoas que nos cercam.


Acreditamos nisso. E nos penalizamos severamente, nos destruímos, e adoecemos tentando compensar muita gente. O que se torna humanamente impossível. Pois, não há como agradecer o suficiente, quando o bem que recebemos veio de pessoas que o fazem com a intenção de nos escravizar, seja emocionalmente ou fisicamente.


Nossa essência é como uma flor rara e delicada, que desabrocha lentamente com o passar dos anos. Algo tão valioso que não poderíamos entregar a outrem como se fosse nada.


Hoje, estou aqui para te dizer que boas pessoas não cobram favores. Gratidão NÃO é dívida. Que você não contrai dívida ao aceitar a ajuda de alguém. Que a retribuição NÃO é obrigatória. E, muito menos, deve te causar dor. Você pode retribuir sim, mas sem peso, sem culpa, sem ser obrigada, ou induzida a isso.


O bem que você recebe, não necessariamente deve ser retribuído à pessoa que te ofereceu. Você pode entregar o bem que você tem, ao mundo, em resposta ao bem que recebeu, por exemplo. Não se sinta obrigada. Nunca se permita ser coagida, humilhada, ou ferida por gratidão ao que um dia foi oferecido a você.


E, o mais importante, não se esqueça, nem por um instante, do valor incalculável que você tem. De toda a existência magnífica que você construiu quebrando barreiras, vencendo obstáculos, superando cada etapa do seu próprio caminho. Na vida, podemos formar várias parcerias de naturezas diferentes, mas, em cada uma delas, deve prevalecer o caráter saudável da partilha, que nutre em nós o melhor que podemos ser.


“ Tornamo-nos mais ricos com a presença dos que nos agregam. Relações saudáveis são relações que nos devolvem a nós mesmos – e, o melhor, devolvem-nos melhorados.”

Fábio de Melo


Luz e paz!

Até a próxima!







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