• Rubia Arce Administradora do Blog

REPARA-TE


Das reflexões que caminham por esta pessoa que vos escreve.

O verbo reparar pode ter duas conotações que cabem aqui. Reparar-se pode ter o sentido de prestar atenção em si mesmo, ou pode significar consertar-se, corrigir algo em si.


Somos seres incríveis, cada um à sua maneira. Nossas imperfeições são o que nos difere uns dos outros, e ao mesmo tempo nos torna iguais. E, acredito que nossas individualidades são o que possuímos de mais bonito. Ser único é onde está a beleza da unicidade do Ser. Não está em qualificar cada característica, classificando como melhor ou pior. Mas está na oportunidade de complementar-nos uns nos outros. O que há em mim, pode não haver em você, e vice-versa.


Deixo claro que neste texto não me refiro a encontros que resultem em relacionamentos amorosos, mas a todos os tipos de encontros. O encontro verdadeiro se dá quando duas pessoas que carregam suas individualidades intactas e igualmente fortes, atravessam o caminho uma da outra e ambas encontram na outra algo valioso a acrescentar a si. Digo isto, porque é preciso ter em mente que antes de nos tornarmos “NÓS”, tenhamos a consciência da importância de sermos “EU”. Diante do exposto, pergunto: Quanto de si você já conhece? Se eu te pedir para citar cinco coisas bonitas sobre você, você acha que consegue encontrar?


Parece tarefa fácil, mas não é. Conhecer a si mesmo a ponto de dispor-se de si tão completamente que seja capaz de se disponibilizar ao outro, é o caminho que, cada um a seu tempo e de sua maneira, veio trilhar aqui. É preciso estar disposto a isso. É preciso, acima de tudo, querer. Mas querer o suficiente para nos fazer caminhar com coragem ao encontro de nós mesmos, totalmente livres de julgamentos, preceitos, preconceitos. Enxergar a nossa humanidade como fonte recriadora de nós mesmos e do nosso pequeno universo, aquele que se move ao nosso redor, aquele do qual fomos criados, e a partir do qual fomos formados. Nosso lar, a família na qual nascemos, aquela que construímos, as pessoas que fizeram e fazem parte da nossa história.


Cada ano de vida que completamos, é mais um ano que tivemos para reparar o que foi quebrado, restaurar a ordem em nós. Porque, de alguma forma, quando colocamos em ordem nosso interior, o que nos rodeia se alinha e se ordena como notas musicais em uma orquestra.


Mas, como colocar a “casa” em ordem? É certo que visitar nossas origens é uma boa forma de começar. A melhor forma de iniciarmos a jornada que elucidará a nossa existência é voltar ao início. Ao início do “EU”.


E, apesar de dizerem tanto que jornada de se autoconhecer significa lidar com o que há de pior em nós, não é sobre isso que trato aqui. Para ser mais clara, falo sobre visitar o caos extraordinariamente bonito que há em nós. A bagunça que floresce dentro da gente a cada experiência vivida. Trata-se de nos visitar com o amor de quem visita uma criança quando nasce. É recordar intimamente a beleza que nos habita, com a gentileza de uma flor de lótus que desabrocha em meio à água lodosa e escura, sem culpa, sem dor. Simplesmente com a sutil força de SER.


Na cultura africana, existe um costume que a meu ver carrega um poder imenso de, com simplicidade, fazer os indivíduos, sempre que necessário, visitarem suas origens. A esse costume dá-se o nome de “A Canção dos Homens” ou “A Tua Canção”.


Conta-se, que quando uma mulher descobre que está grávida, ela se retira com outras mulheres para a selva para rezar e meditar, até que apareça a canção da criança. A mãe ensina para a tribo a canção, que será da criança que irá nascer por toda a vida. Assim que a criança nasce, a tribo se reúne ao seu redor e canta essa canção. Assim acontece quando ela se torna adulta e quando se casa. Ou seja, sempre que acontece algo de significativo para aquele ser, sua canção é relembrada, e com ela a sua identidade.


Mas, o mais belo disso tudo é quando aquele membro da tribo se desvia do caminho, comete crimes, ou faz coisas erradas. Ao invés de uma punição, a tribo, novamente, se reúne ao redor dele e canta a sua canção. Isso, o relembra do quão belo e importante ele é, e o faz revisitar o seu “EU” verdadeiro. Que não é aquele que errou, que cometeu crimes, ou falhou consigo ou com os outros. Ele resgata sua parte mais bela, que é onde está a sua essência. Às pessoas que o amam é atribuída a tarefa de lembra-lo, com amor e respeito, da sua beleza mais profunda, aquela que o define. Eles sabem que, quando reconhecemos a nossa canção, não há mais vontade de fazer mal algum.


Esse costume se tornou conhecido no ocidente por meio de um texto escrito pela escritora africana Tolba Phanem, intitulado “Your song”, do qual ela ressalta esta parte que expressa lindamente o seu valor.


“Teus amigos conhecem a “tua canção”. E a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes, ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quanto te sentes feio, tua totalidade quando estás quebrado, tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.”

Que sejamos intensamente inspirados por este exemplo. Que saibamos visitar o que há de essencial em nós, quantas vezes forem necessárias, até entendermos o quão maravilhosos somos. Que a jornada para nosso “EU” resulte, não só no deleite do encontro verdadeiro conosco, mas na formação do mais valioso “NÓS”.


Repara-te. Reintegra-te. Toma posse do que é só teu. Encontra a tua luz e partilha-a com o mundo que te cerca.


Nascemos indivíduos, mas enxergar-nos verdadeiramente como a pessoa que somos é uma condição que precisa ser alcançada.


Luz e paz!

Até a próxima!


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