• Flávia Carvalho

QUANDO DECIDI, ENTÃO, ME VINCULAR...


Crédito da foto: Luciano Collet


Acordei com a sensação de que alguma coisa precisava se movimentar.

Com uma energia de inquietação, desejo forte de ver mudar.

Olhei para o outro e achei que era lá que estava o motivo do incomodar.

Apontei um dedo, sem conta me dar de que outros três estavam a me direcionar.


Comecei, então, a palavras acaloradas ao vento espalhar.

Talvez esperando que elas fossem capazes de me ajudar a queimar o que começou a transbordar,

e, assim, aquele emaranhado que me trouxe a mente, desmanchar.

Falei tanto e com tanta convicção, como se, no palanque, estivesse a fazer uma importante exortação.


Possivelmente nesse lugar mais alto, me colocando em ascensão,

poderia ser ouvida por todos com mais atenção.

Sim, me sentia maior, em uma posição acima, pronta para a inquisição.

Expus minhas interjeições, afirmei que já conhecia as direções.


Estava certa de que aprovação teria e que com meu apontamento tudo resolvido seria.

Confesso que até um certo poder senti, em mim a força reconheci.

Só que depois de em um intenso prólogo mergulhar, e me orgulhar,

de repente, meus ouvidos escutaram a combinação, que pareceu destravar algo no meu coração.


E, então, parei, e reparei que, o que eu parecia estar tentando fazer, era mesmo me convencer

de que resolvendo lá fora, o nó aqui dentro iria se desfazer.

Foi quando me lembrei de que nunca é com o outro que o incômodo tem a ver,

mas sim com o que me proponho a fazer com o que estão a me oferecer.


A visão que tenho só é capaz de enxergar através da verdade que no peito está a morar.

Ela não consegue saber o que vive em outrem.

O diagnóstico do fato é sempre da maneira que me convém.

Foi então que me surpreendi, ao olhar no espelho e ver o cisco que estava bem ali.


Subitamente me pus a chorar, e comecei a me limpar do que atrapalhava o olhar.

Foi como um passe de mágica que tudo começou a se conectar.

E com clareza percebi que, o que naquela hora faltava aqui,

era o aprendizado que mora no se deixar cativar, na coragem de se vincular, no amor a partilhar, no dar e receber, no laço a estabelecer.


É preciso acreditar na magia da união,

e se permitir ser vulnerável para escolher estabelecer com o outro uma intensa conexão.

Em cada ser vejo o reflexo do que sou,

e é de mãos dadas que sei para onde vou.




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