• Layla dos Santos

PLANTAR A LUA


Estou minguando junto com a lua

Deixo escorrer no fluxo de meus dias vermelhos

A estagnação que não me serve mais

Escoa um rio,

Outrora era bem vivo

Nele um amor podia brincar a margem

E matar sua sede e sua fome e banhar-se

E tirar canções da queda d’água.

Iaras bailando juntas

A seduzir o mundo por paixão

Acontece que sem m’água,

Busco compreender que o rio tem seu curso

E sua natureza é seguir

Morrer como rio, renascer como mar

Que é pra ser água de maior poder

Com os olhos marejados

Mergulho profundo na água turva da lamentação

Medito na falta de ar e tenho visões de outras dimensões

Me ergo, empuxo da vida?

Volto para o meu jardim íntimo

Planto a minha lua

Avisto o tempo pássaro semear

No meu jardim haverá auroras de girassóis

E gotas do mar me visitam pegando carona com a chuva

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