• Dayane Carvalho

PASSIVA, AMPLA, DEFINIDA


Estamos em dezembro, último mês de um ano em que vivemos uma pandemia. Confesso estar, ou ao menos, tentar estar mais introspectiva, refletindo sobre todos os processos que todos nós passamos durante este ano, que foram muitos. Pra mim, foi MUITA cura! Muita!

Trago este poema melado de nostalgia, porque tem sido gratificante florescer minhas palavras guardadas durante os últimos anos, e também em forma de gratidão a todo o acolhimento que tive aqui no blog.


Sinto-me forte e curada. Aprendi que a passividade não é leal, que a amplitude deve ser vivida e que a definição é um ato honesto de coragem.


Passiva, ampla, definida


Eu fui o dia, à noite, o eclipse

Eu fui fria, quente, fui choque

Eu fui, estranha, transparente, anormal

Eu fui rendida pelo fato certo


Eu mergulhei no incerto, me arrisquei

Eu ultrapassei a maturidade

Me iludi

Eu fui maior, fui mestre


Me confundi...

Confundi o sorriso amigo

Noite, susto, leveza, profundidade não evitada

Não me vi, não o vi, não a vi


Fui o incômodo

Caminhei para a salvação, mas a harmonia pesada me agarrou como um sono

Fui ingênua, fui essência

Fui vida


Vivi docemente o meu tempo

Fui glória, fui verdade, fui proporção

Eu fui, sou, sempre serei sofrimento suportável

Fui passiva, fui melódica, fui mulher, sou garota, fui garota


A vida amargamente me traiu

O destino amorosamente me integrou

Claro, meus anos prolongados estão por vir

Claro, não fui sinal vermelho, fui sorriso, fui lágrimas


Lágrimas de essência transparente e quente

Passiva, ampla e definida










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