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  • Tatiana Sansi

O PASSADO QUE NÃO CABE MAIS

A Tatiana que fui não me cabe mais.


Quando criança, não me preocupava se as roupas me cabiam ou não. Isso nunca me incomodou. Estava preocupada em descobrir a vida e mergulhar no universo lúdico da minha existência. Depois que cresci, comecei a me apegar a algumas roupas, principalmente àquelas que fizeram parte de um momento especial. Essas (poucas) eu guardei no fundo do armário por anos, apenas por carinho e afeto.


Antes de engravidar, sempre usei vestidos longos, florais e muito coloridos! Até o sétimo mês de gestação, não havia engordado quase nada, mas, de repente... Trinta quilos a mais até parir. Juro que isso também não me incomodou. Minha filha nos meus braços, poder olhar para o seu rostinho, me descobrindo mãe, era muito maior que isso! Quando percebi, havia perdido quarenta quilos sem perceber! Estava imersa no maior amor do mundo, amamentando, dando e recebendo amor!


E, então, veio a pandemia. Acho que esse momento tão inusitado para todos nós mexeu nas nossas gavetinhas! Em algum lugar, mesmo que minimamente, algo foi revirado e nos fez pensar ou repensar alguma coisa. O ócio ou o excesso revirou memórias, momentos, afetos, lugares. E, no meu caso, me fez revirar os armários e memórias do passado.


Peguei as roupas e tentei “caber” naquele blazer que usei quando peguei meu diploma e entendi que a vida adulta chegava; na saia que girava ao dançar forró quando a juventude e todo o vigor transpiravam entre suas tramas; o vestido que voava quando os meus olhos encontraram os olhos do meu amor pela primeira vez... Ah! Como doeu não caber naquelas roupas e memórias. Doeu perceber que meu corpo não se encaixava mais nesse passado tão feliz e saudoso...


E, então, percebi algo muito importante. A Tatiana que fui não me cabe mais. Não me cabe porque depois do blazer eu conquistei tantos espaços no mercado de trabalho e na vida adulta, me fazendo ser uma profissional muito melhor do que eu poderia imaginar naquele momento que peguei o diploma; Não cabe mais porque a saia girou, o mundo girou, e eu descobri tantos outros prazeres, além de dançar, e que me deram tanto prazer quanto girar pelos salões; não me cabe mais porque depois do vestido e do primeiro olhar, vieram tantos e tantos momentos de troca e afeto com meu amor. E, hoje, o olhar é ainda mais profundo e sincero... Realmente, esse passado não me cabe mais! Porque o presente vira passado em um instante, e o que fica são memórias, lembranças, objetos, roupas...


“Não se desespere quando as coisas boas do passado, passarem rápido demais. O passado sempre volta quando vê que é certo voltar, mesmo que volte um pouco diferente”.






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