• Renata Batista

O MITO DA SUPER MÃE


Ser mãe é uma entidade totalmente diferente de ser mulher, embora os corpos sejam iguais, os mecanismos psicológicos e sociais são distintos.


A mulher exerce inúmeras funções na nossa sociedade, nos é atribuído uma responsabilidade enorme desde cedo, ensinando a cuidar da casa, lavar, limpar, cozinhar, até nossas brincadeiras e brinquedos refletem a realidade de nossos destinos.


Acredito que a maioria das pessoas já ouviu o quanto as meninas são mais maduras que os meninos, como se fosse uma condição orgânica, mas esquecem que, para nós, a cobrança aparece cedo, e por tudo isso, somos forçadas ao amadurecimento precoce.


Somos orientadas a nos comportar, meninas não correm, não gritam, têm que ser delicadas e doces. Temos que ser princesas dos contos de fadas, onde esperamos um valente príncipe nos salvar de nossas masmorras solitárias, e com eterna gratidão, nos casamos com ele. Mas não nos ensinam que nós mesmas podemos nos salvar e sem ter que “pagar” nada para ninguém.


Passamos este sufoco e mudamos nossa sina. Fazemos o que nos ensinaram, mas não somente, trabalhamos, estudamos e produzimos muito mais do que pilhas de roupas passadas.


E quando se tem um filho?


Mais uma atribuição! Esta sim, uma tarefa deverasmente árdua.


Nosso corpo é capaz de gerar outra vida, abrigar este novo ser. Uma pequena célula que se conecta a nós, e outra vida passa a existir. Tudo foi pensado, cada detalhe. Ao nascer, este ser tem seu alimento pronto, e quando lhe for oferecido, este pequeno já sabe o que fazer.


Ter a capacidade de gerar um novo ser é nada menos que fascinante. Que poder!


Uma verdadeira Deusa.


Um corpo preparado para isso, mas e a cabeça?


O corpo é divino e mente?


Existe uma preparação?


Se por um lado é mágico, surreal e poderoso, por outro lado, aqui dentro, é somente uma tola mortal, cheia de angustias e impotência diante das intemperes da vida.


É uma relação cheia de emoções, sensações intensas e preocupações. A responsabilidade aumenta quando damos à luz a um ser tão frágil e dependente. Ou seja, tudo que precisar, a mãe terá que suprir, por isso, ser mãe é outra dimensão. Uma escolha insana.


Esta dura realidade se apresenta logo no início e permanece em cada etapa da vida deles, e da nossa. E, com certa labilidade emocional, vemos nossa potência esvair-se.


Por anos tentamos influenciar os filhos com nossas convicções, entretanto, vemos aquele pedaço de gente crescendo, defendendo suas próprias convicções, criando suas teorias e decidindo seu futuro, e percebemos que o caminho é deles, com suas pedras e tropeços.


E a Deusa?


Perto do filhote de homem se vê uma reles mortal!


Esta é uma parte do padecimento, quando dizemos que ser mãe é padecer no paraíso.


Tudo bem sentir medo, tudo bem querer sumir, tudo bem não ser forte o tempo todo, tudo bem chorar... Fazemos nosso melhor e tudo ficará bem!


Para todas as mães imperfeitas.



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