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  • Isa Mota

O ENCONTRO AZUL


Gostaria de escrever sobre um assunto por demais falado e poucas mudanças são percebidas. Infelizmente! A discriminação, o preconceito.


Quer saber? Estou de “saco cheio” dessa conversa! Nunca ninguém saberá o que é viver diariamente com isso! Percebi que a pessoas estão tão impregnadas por essa doença, que não percebem suas atitudes. Você sabe o que é executar uma tarefa, escrever um texto, revisar um livro, coordenar uma reunião, tirar boas notas, possuir vários diplomas, e não ser reconhecida? Então. Qualquer outro, que não é preto, ou pobre, executa os mesmos trabalhos, escreve, estuda e o reconhecimento é imediato! O que me preocupa é ver as pessoas que gostamos e admiramos, que defendem a luta, escrevendo, dizendo não à discriminação e preconceito, não perceberem suas atitudes discriminatórias. Que Triste!


Não quero mais “malhar em ferro frio”! Tomei uma decisão. Já que não vou deixar de amar, admirar e respeitar essas pessoas que agem assim, no meu convívio, vou relevar e pensar em algo bom que ocorreu em minha vida. Estamos todos em aprendizado. Julgar, jamais!


Nessa busca, descobri que os momentos maravilhosos são em um número infinitamente maior que os ruins. Sendo assim, que fique “cada um com seus problemas”!


Compartilho um desses momentos com você!


Em uma noite do ano de 1975. Festival abertura. Lá estava ele e o “Fato Consumado”, se consumou na minha cabeça.

Uma paixão avassaladora, primeiro amor, tomava conta do meu coração, dos sentidos, da minha razão.


A TV em preto e branco era da vizinha, pois, em casa não havia televisão. Filhos demais para comer, não sobrava para comprar um aparelho tão sofisticado. O coração se atrapalhou, não sabia a quem amava mais, ao garoto mais bonito da turma ou o cantor negro brilhante da TV. Confusão da cabeça de adolescente.


Nunca mais separei-me dele. Os amores foram se transformando, partindo, voltando, chegando, se misturando às emoções, mas só um amor me manteve cada vez mais apaixonada.


Paixão daquelas que entram sem ser anunciada e nunca mais quer ir embora. Fiquei à deriva. Não pude cortar as amarras que ligavam meu coração ao dele. Ao acaso, fui navegando, sem fazer questão de nada que ocorria na história ou às margens daquele rio.


Ao som de sua voz sobravam sorrisos, corria seiva de sonhos, de cor azul, de estrelas, de mar, de lua. Um canto transformador, trazendo paz ao meu viver, levando-me para mais perto de Deus.


Seguiram-se os anos, 17, 27, 37,47, …57, já havia me resignado que só o encontraria na próxima encarnação, se assim Deus permitisse. Mas, o destino nos reserva surpresas que jamais podemos imaginar, um anjo de nome Marina. É, Marina! Anjos têm nomes comuns, nem sempre é Ariel, Mariel, Abdiel... Não acredita? Existem anjos, Maria, Marina, Joana, Lilian, Patrícia, Rubia, Carla, Jaqueline, Paula, Lucia, Cristina, Nilmara, Ana, Áurea, Sandra... Eles aparecem quando estamos juntando forças para não perder a esperança.


Lá estava meu anjo. Nas mãos, dois papeizinhos azuis. Era meu passaporte para embarcar num sonho guardado a meio século.


Subi no barco, aquela noite, sem medo de ser feliz. Lá estava ele. Todo azul, um brilho que cegava meus olhos marejados de emoção.


Cantei, dancei, chorei, sorri e pouco me importei com o que acontecia a minha volta. Vivi e fui muito feliz. Dessas felicidades que nunca se acabam. Ficou tatuada na minha memória, no meu coração, e na imagem captada pelo meu anjo, em seu celular, e sempre ficará guardado o cheiro, o sabor doce do olhar, o frescor da sua voz, e o brilho do seu coração azul.


Eu te amo Djavan!



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