• Christiane Costa

O AUTO TOQUE AMOROSO


Este texto é sobre relacionar-se com o corpo. E, para iniciar, deixo a seguinte pergunta: quanto tempo você dedica a se tocar?


Não estou falando sobre cuidados diários como o banho, cuidados com a pele, cabelos, unhas e tantas outras rotinas que envolvem o dia a dia de uma mulher. Quero falar de outro tipo de cuidado, o auto toque amoroso. Se por auto toque amoroso você pensou na masturbação, está certa. A masturbação é uma parte, mas quero te mostrar que é possível ir além, através de algumas práticas.


Sabe aquele momento dedicado a estar com você mesma! Um tempo para sentir, explorar e perceber o teu corpo. Deixando que as emoções se manifestem, como o sol e a brisa do mar invadindo o teu ser. Acolhendo a alegria ou qualquer outro sentimento que flua através de você.


No auto toque amoroso, você toca conscientemente cada parte. Se permite respirar, emitir um som, assim experienciando a delícia de habitar o teu corpo, tendo a certeza que você se basta.


Talvez, as minhas palavras pareçam distantes, sem sentido ou finalidade prática. Isso resulta de muitas décadas longe do corpo. Voltemos à infância. Lembre-se das vezes em que ouviu que deveria se comportar de uma determinada maneira, que menina fecha as pernas, que a ppk é suja, que mocinha não faz isso ou aquilo, e por aí vai. O repertório é vasto e tenho certeza que você já ouviu algumas dessas frases.


Além de crescermos com este tipo de informação, durante a adolescência, e vida adulta, somos bombardeadas por mais padrões comportamentais e estéticos impostos por uma cultura patriarcal. Com tudo isso, não é estranho que, em alguns momentos, você se sinta desconfortável com você mesma. Por que é tão difícil estarmos bem com nossos corpos? Por que a recorrente sensação de inadequação? De não ser boa o suficiente, que poderia ser melhor aqui e ali. Por que é tão comum nos sentirmos intimidadas em nossa intimidade?


Quero te convidar a rever estes pensamentos e mudar a maneira como você lida com o seu corpo. Vou propor práticas bem simples, mas de grande potencial para descobrir novas maneiras de sentir.


Escolha um momento que você consiga estar sozinha em casa ou com o mínimo de interferência possível, e tome um banho quente e relaxante. Coloque uma música, dance, cante. Use e abuse das texturas, seja com uma bucha vegetal, óleo de banho, esfoliante. Sinta o aroma. Toque o seu genital (eu disse tocar, e não lavar). Após o banho use um hidratante e toque cada parte com cuidado, sinta a maciez da pele, se acaricie, observe suas curvas, traga a intenção de amorosidade e admiração.


Deite-se na cama, ainda nua, faça algumas respirações lentas e profundas. Toque os seus seios, alterne a pressão, descubra como você gosta mais. Continue respirando, solte um som, sorria, mexa o seu quadril.


Agora toque o seu genital, sem nenhum objetivo. Não há nenhuma obrigação de se masturbar buscando um orgasmo. Quero que você perceba o seu genital, o seu cheiro, o seu gosto. Mas, claro que se a coisa esquentar… busque o seu orgasmo. Continue respirando e movimentando o corpo.


E terminando este momento de autocuidado e auto toque amoroso, permita-se integrar com as sensações e emoções que brotaram dentro de você. Sem cobrança!


Espero realmente que você, querida leitora, se arrisque a seguir as minhas dicas.


Um grande abraço!












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