• Isa Mota

NÃO PRECISAMOS DE ASAS


Nunca ficou tão claro a intensão do sistema em usar a educação para exclusão.


—Porque você diz o tempo todo que ama a educação, que a escola ainda é o melhor lugar para se relacionar e “bate” tanto no sistema educacional? Fui questionada.


Quando se decide ser professor, imaginamos que sairemos das Universidades com uma bagagem maravilhosa de conhecimentos. Ledo engano!


Na escola, falo da pública; a história é outra. Modelo conteudista, alunos colocados enfileirados, olhos direcionados para a nuca do colega, uniformizados, ameaçados, robotizados, preparados para seguir comandos. —Silêncio; agora você pode falar; não corra; não se levante; não olhe para o lado... Escolas sem materialidade. Não se aprende a ser professor na Faculdade. A bagagem de teoria é enorme, mas como empregá-la?


Alunos são submetidos a conteúdos que nunca irão se interessar, e a tortura continua... vai tirar zero, vou chamar seus familiares...


O aluno que o sistema quer, já sabemos! Não pensantes, autoestima baixa, desinteressados. E nós, enquanto educadores? Qual aluno queremos?


Aquele obediente, sala em total silêncio (para ganhar elogios da direção) —Que professora fantástica! A sala dela é hiper, mega top disciplinada!


É isso que realmente quero? Crianças orientadas a serem e permanecerem dissimuladas? Com o professor X, por não perturbar a “ordem” tiro boas notas; crianças quantificadas e não qualificadas para a vida? É realmente o que desejo?


Ou ajudá-los a encontrarem o seu caminho, serem proativos, dinâmicos, cidadãos pensantes, que aprendem a olhar o próximo com “olhos de ver beleza”, de ver o sorriso na maçã do rosto de seu colega, de seus familiares, o faça muito feliz. Que aprendam que o que está nos livros, se aprende a qualquer tempo. Que a vida de todos é importante! Que o bem estar de quem convive com você todos os dias é extremamente importante. Que a felicidade é contagiante... Poderia ficar aqui o dia inteiro falando da maravilha que é viver com o outro.


Então, chega a pandemia!


Ferramentas tecnológicas que não funcionam, sempre a baixa média do esperado, a impressão que temos é que são criadas para não funcionar mesmo!


E o conteúdo? Língua Portuguesa, Matemática, Ciências...?


Professores enlouquecidos, angustiados, depressivos. Diretores apreensivos, inseguros com o ensino remoto.


Algo que chegou de repente. Todos despreparados.


No início!


Nesse momento, já deu tempo de organizar, entender e perceber que o que menos importa é o conteúdo.


“Agora é brincar de viver”.


Os alunos perceberam muito antes de nós.


Ser professor é um privilégio. É aprender todos os dias.


Nunca ficou tão claro a intenção do sistema em usar a educação para exclusão da classe menos privilegiada. Como vem acontecendo a anos e anos no nosso país.


Professores cada vez mais desvalorizados. Querem nos fazer acreditar que somos medíocres.


Temos o poder de transformar! Não queremos mais essa escola descrita por Rubem Alves, Adélia Prado e Nietzsche.


A escola que queremos, tem seres de luz, sabedoria e amor ao próximo!


E o sistema...???


Desde sempre souberam que se nos dessem asas voaríamos ao infinito.



“Tinha horror às escolas. Nas escolas se formam os rebanhos de ovelhas, todas balindo igual, todas pensando igual. Ovelha que balisse diferente, que pensasse diferente, ia para o manicômio ou era reprovada."


“Escola é máquina de destruir crianças. Nas escolas as crianças são transformadas em adultos. É isto que todos os pais querem: Que seus filhos sejam adultos produtivos. Como ficam felizes quando passam no vestibular!”


“Escola é uma coisa sarnenta. Fosse terrorista, raptava era o diretor e dentro de três dias amarrava no formigueiro, se não aceitasse minhas condições. Quando acabarem as escolas, quero nascer outra vez” (Adélia Prado).


“Os professores são meus inimigos naturais” – (Friedrich Wilhelm Nietzsche)


“Nietzsche andava na direção contraria... Não era ovelha de rebanho. Era cabrito montês, que andava sozinho nas rochas. Criança não meio para chegar ao adulto. Criança é o fim, o lugar aonde todo adulto deve chegar.”


“O erro médico vai para debaixo da terra. O do educador para a sociedade” (Marina Colasanti) palestra PUC-MG 1996.


ALVES, Rubem 2. Se eu pudesse viver minha vida diferente..., crônicas brasileiras- Campinas, SP: Versus editora, 2004.


Destaques
Arquivos
Siga-me