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  • Beth Bretas

JOANA D’ARC


Fonte da imagem: catholicus.org




Educação... Quais caminhos trilhará em 2021? O que dizem os especialistas? O que pode dizer o brasileiro frente a um processo educacional que não investiu nas inovações tecnológicas? Que não se preparou para a transformação digital... E, muito menos, uma pandemia que exige isolamento social e uma educação de ensino híbrido - Educação 4.0, que exige tecnologia de ponta.


O que pode agora a escola pública? O professor? O aluno? O MEC? O que pode agora o Sistema Educacional?


Durante anos, circulei pelos caminhos da educação pública, que não admitia seu fracasso e continuava afirmando sua eficiência, num cenário de criação de programas que não alcançavam metas reais e eficientes para a vida do aluno.


Por um cenário onde, por mim, passaram tantos jovens sonhadores – jovens que sentavam desestimulados naquelas carteiras públicas.


Um cenário, por onde eu procurava ser uma professora parceira e abraçava meus alunos, sem abraçar aquele tipo de ensino, cheio de falsas promessas e discursos humanitários.


E, então, foi por acreditar, um pouco mais, nas instituições particulares, acreditando que lá, os meus filhos teriam uma educação mais competitiva e inovadora, que os matriculei. E sobre o suporte dos parâmetros da escola particular, os eduquei.


Durante o percurso, fui descobrindo que o processo educacional vai muito além dos muros escolares e, antes de se educar um filho, há de se educar um pai. E que frente a essa descoberta, havia uma grande luta:


Educação Institucional x Educação Familiar.


Outra maior ainda:


Instituições Educacionais x Interesses Políticos.


E confrontei aquilo que acreditava e o que realmente acontecia.


Minha filha, na adolescência, no auge da rebeldia, teve como herói um professor de História. Homem inflamado, que valorizava atitudes heroicas, que discursava sobre injustiças e traições num contexto social, mostrando em seus discursos que havia, nele, uma alma revolucionária.


Os alunos vibravam, deliravam, enquanto ele deixava um gosto de quero mais, no encerramento das aulas...


Um dia, depois de uma inflamada aula de História com ele, minha filha chegou em casa e me disse:

— Mãe, que aula tivemos hoje! Nunca vou me esquecer desse professor! Ele é o melhor professor que já tive... E ele está certo, nós temos que lutar pelos nossos direitos... Deixar a passividade, o egoísmo, e parar de levar essa vidinha medíocre que levamos.


— Sabe, mãe, fico olhando para você e para o papai, observando a vida que vocês levam e, me desculpem dizer, mas vocês são muito acomodados. Aceitam tudo muito fácil. Eu não quero ser assim!


E, sabe aquele intervalo silencioso, necessário em certos momentos, intercedeu!


Respirei calmamente e respondi:


— Você tem razão. Não tenho alma revolucionária e nunca vou levantar uma bandeira. Jamais seria uma Joana D’Arc - aquela linda garota de 17 anos que lutou e morreu pela França e hoje é a padroeira do seu país.


— Penso que essas pessoas nascem predestinadas a morrer por causas humanitárias e, por isso, suportam destino de embate.


— Cuidado, minha filha, você é muito jovem...


E ela me interrompendo indignada:


— DETESTO quando você me fala sobre não ter maturidade para avaliar as coisas... ISSO É DESCONSIDERAR O QUE SINTO AGORA!


— Não é isso!


— CHEGA, MÃE!


Ela se levantou e, ao vê-la se trancar no quarto, afastei e fiquei pensando no quanto ela estava decepcionada comigo, embora soubesse que o professor, também, não fosse um guerreiro, por diversos motivos e razões, como por exemplo: ficar na sala de aula cobrando dos alunos que batessem de frente, sem escudo - apenas protegidos pela inocente vontade de lutar por ideais - enquanto ele mesmo, ficava ali, só na base do discurso, sem rua, sem cara pintada.


Sempre desejei filhos conscientes, que soubessem se posicionar na vida. Só não sabia, mas aprendi, que um filho consciente questionará a própria criação e, antes de ter um embate lá fora, terá com você.

Permiti que minha filha fosse adolescente, fosse rebelde, respondesse à altura, batesse a porta... Se libertasse, se expressasse dentro da própria casa. E pela amorosa relação que temos, pelo ser que ela vai se tornando, e a forma como vai traçando seus caminhos, não me arrependo.


Porque, hoje, o que presencio são resultados gerados pelo potencial de uma jovem linda, que lidera técnica e psicologicamente seus espaços sociais.


A coisa mais saudável que podemos fazer por nossos filhos é deixá-los se expressar e entender que aquela forma de se expressar, naquele momento, é daquele momento.


E, uma coisa estava clara em mim: eu não podia destruir a imagem daquele professor. A minha filha, como todo ser humano, precisa de um herói e, era só questão de tempo, para que ela ressignificasse, em sua memória, a lembrança sobre o seu professor revolucionário.


Ela descobriria que essa lembrança era mais sobre a paixão que esse homem despertava no coração da turma, principalmente das alunas, do que propriamente sobre um homem revolucionário.


Um dia, minha filha entenderia que há heróis que escolhemos ser e há heróis que queremos ter, na vida.


Essa lembrança veio acompanhada pela percepção de que duplamente circulei no meio educacional...


Que a minha responsabilidade sobre o difícil processo de educar, foi muito mais intensa e muito mais arriscada do que eu pudesse imaginar, pois, eduquei como professora e eduquei como mãe...


E, ao perceber meu processo, me agarrei a algo que poderá me salvar, frente ao meu espelho:

Sempre tive consciência de que a minha profissão recai sobre a responsabilidade do processo de formação humana e olhei para os meus alunos com a mesma preocupação que olho para os meus filhos – um olhar que sempre procurou pela melhor forma de educar, e não em acertar cem por cento.


Sempre procurei pelo processo em que o percentual de aprendizado fosse o maior possível, dentro de uma possibilidade de sucesso na vida dos meus alunos.


Amei minha profissão! Amei ser professora!!! Era um prazer estar em sala de aula, fazer pactos com aqueles jovens sonhadores, ser desafiada e desafiá-los...


Quero acreditar que meus erros foram por ignorância e não por falta de responsabilidade, de compromisso, de dedicação e de amor.


Capitã Marvel:


“E ela vai voar mais alto e mais longe e mais rápido do que jamais sonhou”.



“Meu nome é Carol..., desde criança, eu não me encaixava. É que eu sempre quis voar.”


“Ser o melhor que você pode ser (…) é possível para qualquer um” ...


“O culto dos heróis é mais forte onde a liberdade humana é menos respeitada”.


Herbert Spencer


“Um dia crescemos e descobrimos que nossos heróis são apenas homens

fantasiados”. - Nathan Monte



" Sem heróis somos todos comuns e não sabemos até onde podemos ir...!".


Bernard Malamud



“Não se preocupe por não ter conseguido me salvar, às vezes os heróis não

conseguem chegar a tempo.” - Evanderson Gabriel


NAMASTÊ!




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