• Beth Bretas

HÁ PERFUME NAS IDADES


Estou comemorando mais uma primavera. Nascer em fevereiro, ser mulher aquariana – ter o elemento ar presente no meu signo...


Talvez, seja isso que faça aflorar meu lado mais criativo... E mais delirante.


Dizem os astrólogos:


“O signo de Aquário é o décimo primeiro do Zodíaco e o último da tríade do elemento Ar e representa o ápice do desenvolvimento mental e da criatividade.”


Talvez, seja isso que explique a forma como vivo meus momentos, como trilho meus caminhos.


Talvez, seja isso que explique o meu olhar de encantamento sobre a existência do nosso Planeta, do nosso Universo.


Talvez, seja isso que explique meu olhar de Sidarta sobre as dores, sobre as catástrofes...


Talvez, seja isso que explique a minha eterna escolha de exaltar a presença, não simplesmente, de flores no jardim, mas também dos aromas.


Talvez, seja isso que me faça comemorar a existência de forma tão prazerosa, com a sensação de quem sabe que há sempre um outro olhar sobre todas as coisas, e há sempre um cheiro que se destaca, e há sempre o coração que acelera.

Hoje, alguém passou por mim deixando no ar perfume do Boticário, da essência escolhida, do gosto, da afinidade, da fragrância preferida.


Tantos perfumes cruzam nossos caminhos. Tantas fragrâncias abrem e fecham ciclos.


Quando eu tinha 15 anos, estava platonicamente apaixonada por um amigo do meu irmão mais velho. Esse amigo foi à festa de 15 anos da minha prima e amiga de infância e levou um presente... LANCASTER!


Festa de 15 anos, aquela de vestido longo e valsa e muito glamour que abre as portas sociais para as meninas – como abriu para a minha prima que se casou aos 16 anos, toda apaixonada por um homem bem mais velho, mas também apaixonado por ela.


Os dois se conheceram na festa. Nessa festa que ultrapassou o planejamento da minha prima, pois ela se tornou, atrevidamente, um evento importante para outra pessoa... Eu e o meu coração acelerado, pois ele estava na lista de convidados e havia confirmado presença.


Tudo correu maravilhosamente bem naquela festa de 15 anos, tão merecida para minha prima.


Porém, no que diz respeito a mim... Aquela noite tão maravilhosa encerrou de forma injusta. Depois dos parabéns, fui intimada a voltar para casa e tive que obedecer, contrariada, porque meu irmão e o seu amigo não receberam a mesma ordem.


E fui embora... Dormir aborrecida e feliz, ao mesmo tempo.


No dia seguinte, fui à casa da minha prima, curiosa por conhecer os presentes, principalmente, “o presente”:


- O que ele te deu?


- Lancaster - e me entregou a caixa.


Abri lentamente e, naquele momento... não existia outro aroma como aquele... Aromatizei-me!

O perfume se espalhou pelo quarto e as borboletas voaram ao meu redor enquanto o mundo, cúmplice, paralisava por instantes...


O aroma se espalhou e enfraqueceu... O tempo da fragrância passou. As borboletas foram embora, eu fui devolver o frasco.... Quando, então, descobri uma prima encantadora:


- Pode ficar para usar quantas vezes quiser!

E foi assim que a minha admiração aumentou por ela e o Lancaster foi parar no meu armário e durou por muito tempo, por ter se tornado um perfume de momento especial.


Que fase gostosa de glamour... De sensação de frescor... De coração voando entre borboletas.


Hoje, esse amigo é um senhor que, de vez em quando, encontro no apartamento do meu irmão e ele nem se lembra de que, um dia, presenteou com Lancaster e, muito menos imagina, que o presente dele virou presente e foi parar em minhas mãos e, uma vez em minhas mãos, se tornou algo muito especial, porque eu estava no auge do meu despertar delirante de mulher, onde tudo era tão utópico e o coração acelerava tão inocente.


Salve a poesia em mim!


Salve Adélia Prado!


“A borboleta pousada ou é Deus ou é nada.”


Salve Clarice Lispector!


“... O que eu desejo ainda não tem nome.”


Salve Lya Luft!


“Quando chegou o tempo da verdade, entendi que sou – num fundo porão das horas – reflexo de reflexo de reflexo, nada mais.”


Salve Mário Quintana!


“Quem é macho? Quem é fêmea? Quem é humano, apenas!”


Salve Fernando Pessoa!


“E que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio.”


Salve Rubem Alves!


“Sim, quero viver muitos anos mais. Mas não a qualquer preço. Quero viver enquanto estiver acesa, em mim, a capacidade de me comover diante da beleza."


Salve Sidarta!


“Tudo existe é um dos extremos. Nada existe é o outro extremo.

Devemos sempre nos manter afastados desses dois extremos e seguir o Caminho do Meio.”


Salve Antoine Saint- Exupéry!


“Ele foi se fazendo...Ele era em cada momento aquilo que devia ser... A única coisa fértil é a colaboração de um através do outro. E o gesto falhado serve o gesto que triunfa.”


Salve o tempo da memória! O tempo das histórias!


Salve todos os tempos de viagens reais e imaginárias que se encontram aqui, compondo o meu AGORA.


“Em plena maturidade sinto em mim a menina assombrada com a beleza da chuva que chega sobre as árvores num jardim de muitas décadas... E dentro de todas as minhas limitações, posso me abrir e acolher a vida numa constante transformação. “ Lya Luft


“Nascer é viver lentamente, até fazer-se!”



NAMASTÊ!



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