• Flávia Carvalho

O FLORESCER DO AMOR


No final do ano passado, decidi que queria mais amorosa ficar.

Meu desejo era que, ao falar, escrever e agir, eu pudesse o amor facilmente transmitir.

Para me inspirar, comecei a observar as pessoas que sentia que tranquilamente isso fazia.

Era tão bom perto delas ficar, que tive certeza que era assim que devia me expressar.


Foi quando comecei a pensar o que era possível fazer para esse amor transparecer.

Como no outro era algo tão natural, e pra mim parecia um estranho, em estágio inaugural?

E o dia a dia veio me mostrar que a escrita poderia ser o caminho mais fácil para o que queria alcançar.

Já que se olho pra minha história, vejo que ela apareceu com destaque na minha trajetória.


Sempre fui de diário escrever, e a aula de redação do colégio dedicada me punha a fazer.

A professora de português influenciou a escolha da minha futura formação. Ela detectou e incentivou meu talento, me apresentou uma evidente direção.

Apesar de há mais de 20 anos ter escolhido o jornalismo como minha profissão, foi recente a certeza do quão sincera foi essa tomada de decisão.

Dei-me conta de que com a escrita consigo mais fundo chegar, e, me lembrei de que, quando mais nova, até palavras de amor costumava rascunhar.


Foi, pois, por meio de mensagens trocadas que nesse mundo amoroso que pleiteava, entrei. Para isso, algumas palavras abandonei, e de outras, não mais desgrudei.

Percebi que em certas conversas esse amor fluía sem nem precisar muito pensar. Em outras, tinha que parar um pouco para, em meu repertório, tentar algo de bom encontrar.

“Fingir até ser”? Será que era assim que eu conseguiria de fato com a fórmula do amor permanecer? Escrever algumas vezes meio sem convicção, para, só depois, me encontrar com a emoção?

Da minha parte há empenho e muita vontade. E me dei conta de que não, não é preciso encenar, nem querer tudo controlar. Pois se há um desejo real, mesmo que ainda não seja tão natural, é o amor que já está ali, pulando cada vez mais alto, querendo sair.


Com a mudança da escrita, a fala também se sentiu autorizada para se transformar.

A crítica, que antes era minha companheira, presença rotineira, não teve mais motivo para ficar.

Afinal, ao, o outro, julgar, falo mais de mim do que de quem estou o dedo a apontar.

O criticado é como um espelho que faz refletir o que preciso em mim com mais cuidado olhar.


Talvez o agir amoroso fosse o caminho mais íngreme por mim a percorrer, porque sabia que ele só mudaria, quando o amar aqui dentro pudesse florescer.

Se é possível com palavras esse amor manifestar, é pelo silêncio que a essência costuma melhor se apresentar.

Olhar doce e paciente, desejo de estar realmente no presente. Uma mão estendida, sem qualquer segunda intenção. Um ouvir aberto a escutar o que não é minha opinião.

Mas como fazer tudo isso transbordar e, enfim, o amor por aí espalhar?


A beleza foi descobrir que para esse amor, de vez, emergir, é preciso apenas cuidar de quem o está a guardar.

Ter benevolência quando tropeçar, alegria ao se levantar, reconhecendo a humanidade que tira a obrigação de sempre ter que de pé ficar.

Sem culpas ou desculpas. Sem querer o outro agradar às custas do meu bem estar.

É isso! Para mais amorosa ficar, tenho que primeiro muito me amar!




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