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  • Carla Kirilos

ESPERANÇA


Dia das Mães e Esperança. O que será que estes dois assuntos têm em comum? Para você entender a relação que estabeleci entre estas temáticas, prossiga a leitura até o final.


O pesquisador norte-americano Charles S. Snyder, autor do livro “A Psicologia da Esperança”, lançado em 1994, entende a Esperança como uma ideia motivacional que possibilita a uma pessoa acreditar em resultados positivos para suas metas e aspirações. Segundo ele, a pessoa que tem esperança consegue desenvolver estratégias de vida e de sobrevivência de forma mais eficaz e reúne motivação para colocá-las em prática.


No dicionário, Esperança significa: sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja; confiança em coisa boa; fé.


Também sabemos que a Esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos, relacionados a eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança requer uma certa perseverança — acreditar que algo é possível, mesmo quando há indicações do contrário. O sentido de crença deste sentimento o aproxima muito dos significados atribuídos à .


A Esperança, ao lado da Fé e do Amor, é uma das 3 virtudes teologais do Cristianismo. É esse tripé que rege, motiva e é objeto imediato da nossa relação com Deus. Temos que amar o próximo, ter esperança na vida depois da morte física e muita fé para manter a certeza desse caminho. E, por extensão, essa prática garante-nos o agir bem e a felicidade.


Creio e concordo que todas estas explicações sobre Esperança são verdadeiras e importantes, mas eu tenho sobre Esperança, um conceito muito particular, ampliado e diferenciado dos citados acima.


Quando penso sobre Esperança, o primeiro sentimento que me vem à mente é o amor materno. Sabe por quê? Porque tive o privilégio de ser filha da “Dona Esperança”. Sim, este era o nome da minha querida mãe. E, neste mês de maio, quando comemorarmos comercialmente o Dia das Mães, ocasião em que a temática da maternidade recebe uma atenção especial, minhas memórias afetivas foram ativadas e me encheram de mais saudades. Sentimentos como o respeito, a admiração, o carinho e o amor incondicional parecem potencializados quando não se está por perto, e se tornam ainda mais relevantes neste momento.


Pode parecer chavão, mas minha mãe era fantástica! Uma guerreira com “G” maiúsculo! Mãe de 6 filhos (perdeu um ainda bebê), dona do sorriso e abraço mais gostoso do mundo, costureira e tricoteira de mão cheia, casada com um filho de libaneses (quem conhece a cultura árabe sabe o que isto pode representar), mudava de cidade em cidade por causa da profissão do marido, cuidava da casa e da família como uma leoa, sempre fazia as melhores comidas do mundo, quase nunca ficava doente (sim, ela sempre estava pronta para cuidar de todos e de tudo, com muita dedicação, mas quando se tratava dela, não havia tempo ruim), adorava música (o “rei” Roberto Carlos tinha um lugar especial em seu coração) e era uma avó amada e mimada pelos netos. Curtiu pouco os bisnetos, mas teve a benção de conhecê-los.


A minha mãe era a força em pessoa! Enfrentava as lutas de pé e de frente. Viveu momentos difíceis, mas quase nunca desanimava. Ao contrário. Sempre dava um jeito de colocar cor até no que parecia mais sombrio. A impressão que eu sempre tive, é que nada podia derrubá-la e que ela sempre vivia cheia de esperança em Deus, na vida e nas pessoas.


Até que um dia, dois meses após completar os festejados 80 anos, um tombo bobo, no dia da viagem dos seus sonhos, nocauteou a “Dona Esperança”. Ela não pôde viajar, precisou ser operada com emergência (tinha quebrado o fêmur), passou bem na cirurgia, mas depois, o improvável aconteceu. Uma embolia, seguida de duas paradas cardíacas, levaram para pertinho de Deus a minha querida e amada Esperança.


Só quem já perdeu alguém próximo sabe a dor e a confusão emocional que é lidar com essa ausência. Vários sentimentos (como tristeza, raiva, saudade, frustração, impotência, solidão), se misturam em uma coisa só, que chega a doer fisicamente. E como dói! Não é fácil não ter mais a mãe! Nossa cabeça fica confusa. A sensação que temos é que nossas forças acabaram. No entanto, o meu conforto é saber que sim, ela está feliz ao lado do Pai, porque em vida reconheceu a obra de Jesus na cruz.


Hoje, quase 7 anos após a partida da minha mãe, aprendi a conviver com a dor da ausência. A saudade parece que é permanente, pois ela realmente me faz muita falta. No entanto, vou preenchendo esta saudade com lembranças gostosas do que compartilhamos juntas. E tem muita coisa boa para recordar!


Para todos que, como eu, viveram ou vivem um doloroso momento de luto, aconselho uma reflexão bíblica que sempre me traz encorajamento e ânimo. Diz o texto de Lamentações 3: 21-24 “Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se a cada manhã; grande é a tua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança.”


Procuro viver assim. Trazendo à memória o que pode me dar esperança. Inclusive para ter sempre pertinho de mim a minha doce Esperança.



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