• Isa Mota

ESCOLA E AMIZADE / UM PRESENTE


São iluminados.


O buscar conhecimento brota em seus poros, como fonte ao pé da serra.


Branca, límpida, transparente, um espelho.


Através dele é refletida a luz, o prazer, o saber, a essência de construir algo maior, cidadãos críticos, conscientes de seu papel e lugar ocupado no mundo.


Tudo harmoniosamente colocado. Lábios, olhos, mente, coração, invadindo todos os espaços por inteiro.


Esse estado constante de consciência nos invade, quase nos sufoca, mas nunca estamos saciados, procuramos sempre fazer melhor e melhor.


Meus amigos são assim!


Formamos uma aliança para, cara a cara, nos servirmos. Distribuímos segredos, sonhos e sorrisos.


Foi em um dia cheio disso tudo, precisamente, 28 de janeiro de 2021, que um desses amigos recebeu a notícia. Você foi exonerada no dia 31/12/2020.


—Como assim? Após trabalhar o mês de janeiro? Não terei pagamento?


—Não!


Simples assim! Ninguém explica nada! Escola, Superintendência, SEE.


—Nada!


Somos tratados assim por um sistema educacional, cruel, egoísta e desprovido de humanidade.


Não é comigo... “PHOODDA- SE” o resto. Tenho que me manter intacto não posso me indispor!


—No próximo ano estarei na escola, posso ser perseguido!


—Hipócrita de raciocínio lento! Amanhã poderá ser você!


A decepção sofrida nesses momentos só é suplantada pela certeza que construímos nesse ambiente de convivência diária, amigos verdadeiros.


Nesse ponto, lanço mão do texto de Paulo S’antana para expressar a todos os professores, meus amigos, novos e antigos, que tive o prazer de conviver ao longo dos 30 anos de sala de aula. Meu agradecimento do fundo do coração!


Meus secretos amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos! Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles… Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Essa mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles!

Eles não iriam acreditar! Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação dos meus amigos, mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não o declare e não os procure.

Às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles e me envergonho porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamento sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer… Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos e, principalmente, os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus verdadeiros amigos!!!

A gente não faz amigos, reconhece-os!


Referência:

– Paulo Sant’ana, no livro “O Gênio Idiota, o melhor de Paulo Sant’ana”. {Coletânea de crônicas publicadas no jornal Zero Hora, POA/RS}. Porto Alegre: Mercado Aberto,1992.










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