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  • Carla Kirilos

ENAMORAMENTO


E, num piscar de olhos, eis que chega Junho. Sim, já estamos no mês 6 de 2021! A questão que nos inquieta é: O tempo está mesmo voando? Assisti recentemente, na Netflix, ao documentário "Quanto tempo o tempo tem." Ele mostra que nós conduzimos a vida de forma cada vez mais acelerada. De fato, estamos sempre correndo, tendo ou não motivos para isso. Mesmo assim, parece que não somos rápidos o suficiente para acompanhar o ritmo do tempo. Quem não reclama de não dar conta do que quer ou precisa? Quem não gostaria de esticar o dia para fazer tudo com mais calma?


No entanto, não é o tempo que fica mais curto. Ao contrário. A cada século, nossos dias se tornam 1,8 milissegundos mais longos. O que acontece é que a sensação de passagem do tempo reflete o que ocorre no nosso mundo interno. É o que explica a psicóloga Raquel Cocenas, pós-doutora em ciências na área de percepção do tempo e emoções pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo). Mas nada interfere tanto na percepção do tempo como as nossas emoções. Quando o relógio não anda em sintonia com o que estamos sentindo no momento, ele pode parecer apressado ou lento. "O tempo do relógio é o tempo cronológico, do social, do coletivo, que segue uma linearidade temporal marcada pelos segundos, minutos e horas. Já a experiência pessoal do tempo é elástica e diversos fatores podem influenciar e interagir nela", esclarece Cocenas.


Segundo a psicóloga, além de emoções, as nossas expectativas, a complexidade da tarefa a ser executada, a atenção ou distração também interferem na maneira como sentimos o tempo. Concorda?


Mas afinal, o que o tempo tem a ver particularmente com o mês de junho? Para mim, não teria nada de excepcional se não fosse este, aqui no Brasil, o mês dos namorados, do amor. E por que eu resolvi juntar estes dois temas? Porque acredito que precisamos viver mais momentos de “enamoramento” na nossa vida e, principalmente na nossa vida conjugal, ao invés de simplesmente vivermos no piloto automático.


Sinceramente, o que tenho escutado muito em meus atendimentos são casais se queixando de que fazem milhões de coisas juntos, mas não desfrutam da companhia do outro de verdade. Falta tempo de qualidade. E isto afeta as emoções.

Infelizmente, graças à tecnologia, o tempo de qualidade com nossos parceiros está, sim, se tornando cada vez mais escasso. Mesmo quando estamos juntos, estamos em outro lugar – geralmente no ciberespaço ou mergulhados em nossos próprios pensamentos. Mas, estar perto um do outro enquanto faz outra coisa, nem sempre constitui um tempo de qualidade, não importa quanto tempo você fique sentado ali. E para alguém cuja principal linguagem de amor é tempo de qualidade, (sugiro aqui a leitura do livro “As 5 Linguagens do Amor” de Gary Chapman) essa falta de conexão pode deixá-los se sentindo vazios e sozinhos.


E como evitar que isso ocorra a ponto de levar a um esfriamento do relacionamento?


Sou casada há 42 anos. E quando as pessoas me perguntam como consigo, sempre respondo do mesmo jeito: - Eu escolho amar todos os dias.


E por que faço esta escolha? Está na Bíblia, em 1 Coríntios 13, versos de 1 a 7, a base que fortalece a minha opção diária.


“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”


Ou seja, nada na vida a dois é fácil! Na verdade, viver a dois é uma tarefa complexa a ser executada. É um exercício diário de concessões, de conquistas, de paciência, de amor, de encantamento. E quando a opção é amar todos os dias, aquilo que desgasta, que da raiva, que aborrece, que distancia, vai sendo tratado, resolvido e um processo de enamoramento começa a surgir. E defino por enamoramento o fato de suscitar/provocar em alguém a paixão e a chama do amor. É o estado emocional em que sentimos alegria e satisfação por encontrarmos outra pessoa que seja capaz de nos compreender e de partilhar a sua vida conosco. Não é uma tarefa fácil. É uma atitude. Uma decisão. Uma escolha diária. No entanto, acredito que o investimento compensa, se a base é sólida e firmada em valores que têm significado para as duas partes.


O quanto você e seu parceiro realmente têm dedicado de tempo de qualidade no relacionamento? Você já pensou que delícia seria vocês não pensarem no casamento como algo monótono e sem graça, mas como uma relação diária de enamoramento? São escolhas que precisam e podem ser feitas.


Assim, deixo como sugestão, que neste mês de Junho, tempo de frio, de fogueira, de canjica, de pamonha, mas também tempo dos namorados, vocês desconectem-se do que é supérfluo e passageiro e conectem-se verdadeiramente um ao outro, criando momentos ímpares de conexão emocional e sentimental verdadeiras. Afinal, o amor está no ar.



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