• Isa Mota

EDUCAÇÃO E CAMPANHA POLÍTICA


O voto existe desde 1530 na história do Brasil. Em 1532 ocorreu a primeira eleição oficial municipal, para a Câmara Municipal de São Vicente. Desde então, o voto sofreu várias transformações. Em 1821, eram eleições somente municipais, e só os homens livres podiam votar. Na fase Imperial, era possível eleger deputados e senadores. O voto era censitário, isto é, uma parcela da população podia votar. Isso no período colonial.


Em 1824 com a primeira Constituição Federal, era necessário ter renda mínima para poder exercer o direito de voto. Época marcada por grandes fraudes. Não vou prolongar esse assunto, pois sinto que já percebemos que não mudou nada, ou quase nada desde a primeira eleição no nosso país.


Você deve estar perguntando, o que isto tem a ver com a educação. Diante desse quadro de corrupção, desde sempre, percebemos o verdadeiro motivo pelo qual a educação está sempre relegada a terceiro, quarto, quinto ou a plano nenhum.


Fica claro o desejo de manter as pessoas desinformadas, alienadas e com autoestima baixa.


A luta é antiga. Em 1959, ano do meu nascimento, cerca de 100 000 eleitores escolheram o rinoceronte Cacareco para uma das 45 cadeiras na prestigiosa casa legislativa. O número de votos do animal foi maior do que o de todos os 540 candidatos. “A ideia da candidatura informal teria sido do jornalista Itaboraí Martins, como uma piada para denunciar a baixa qualidade dos políticos.”


Ainda hoje, caminhamos nessa luta solitária, sem apoio do poder público.


Estamos em plena campanha eleitoral para vereadores e prefeitos, e a história se repete. Até então, nas eleições passadas, ainda havia um candidato ou outro que colocava frases de efeito em favor da Educação. “Pela educação de qualidade” – “Um país se constrói pela educação”.


Hoje, a Educação sequer é slogan de qualquer candidato. Foi abandonada, esquecida em armários individuais de professores nas escolas, ou em locais mal adaptados, sem planejamento ergométrico e, muitas vezes, sem uma internet e computador adequados, onde possam executar seu trabalho remoto com a dedicação e qualidade, como sempre.


Não dá para mensurar o tamanho do descaso e tentativa de degradar, excluir e deteriorar a educação. Por qual caminho irá um país que não tem comando ministerial da educação? Estamos jogados, como lançadeiras, até que caiamos na caçamba de lixo da ignorância total.


Resistamos!


“O valor não é favor da natureza, mas sim resultado da educação que recebemos.”

Alexandre Dumas Filho


Leia mais em: Um Rinoceronte para a Câmara de Vereadores



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