• Mariana Veloso

“O QUE SERIA DO AZUL SE TODOS GOSTASSEM DO AMARELO?”


Essa é uma frase muito usada para revelar as preferências das pessoas. Não é porque uns gostam mais do azul que ninguém vai gostar do amarelo. É uma questão de preferência e necessidade do momento.


Rejeição e abandono são sentimentos muito presentes nas sessões de terapia. Muitos de nós, trazemos esses nós de outras relações ou situações vividas no passado. E, enquanto não conseguimos resolver esse sentimento dentro de nós, iremos atrair para a nossa vida pessoas e situações que só irão confirmar essa dor. Segundo Jung: “Até que você torne o inconsciente em consciente, aquele irá direcionar a sua vida e você irá chamá-lo de destino”.


A partir do momento que você perceber que a rejeição é criada para justificar o “não querer do outro”, vai entender que o seu valor não pode ser medido pela vontade ou interesse de ninguém. Temos o erro de justificar o não do outro como se faltasse alguma coisa em nós, como se fossemos culpados ou precisássemos ser diferentes para que alguém nos queira. Os motivos pelos quais levaram uma pessoa a não querer estar na sua vida, só ela pode dizer. Não nos cabe sofrer, por mais que seja difícil, não é nossa responsabilidade administrar uma culpa que não existe, por algo que a gente nem sabe o que é.


Quando colocamos o nosso valor nas decisões do outro, revelamos que há algo em nós que precisa mudar. Precisamos entender que as pessoas são livres, assim como nós, para fazerem as escolhas delas. E, também, que não temos controle nenhum disso. A rejeição, nada mais é, do que uma expectativa frustrada de algo que gostaríamos muito que acontecesse. Mas, que não ocorreu conforme esperávamos.


Tudo depende muito de como a gente enxerga a situação, a partir do momento em que começamos a olhar tudo isso de outra forma, iremos respeitar a liberdade de escolha do outro. E isso é muito bacana, demonstra respeito e empatia.


Não estou dizendo que não dói, muito menos, que seja fácil. É necessário trabalhar todos os dias. Mas, o autoconhecimento é uma trilha linda, da qual, nunca saímos perdendo. Precisamos devolver para o outro o que é dele. E, entender que existe um mundo de possibilidades a nossa frente. Claro que existem alguns casos em que as pessoas não são honestas, e demonstram corresponder à nossa expectativa, somente para alimentar o próprio ego. Mas, isso diz muito mais sobre elas do que sobre nós.


Se parar para pensar, a rejeição pode ser um pente-fino que vai trazer para a nossa vida pessoas que realmente estejam dispostas a estarem nela, de coração aberto.


E, quer saber?! A única rejeição que existe de verdade é a que a gente faz com a gente. Quantas vezes nos abandonamos em prol do outro?! Falamos sim, quando queríamos dizer não? Que não nos amamos o suficiente?


Nutra o seu coração com amor. Se priorize, sempre! Não se abandone, nem se deixe de lado por nada, nem ninguém. Você é do seu tamanho, e está tudo bem.


Eu confesso que caminhei sem rumo por muito tempo, tentando me encontrar. Buscava um abrigo, um lar, um conforto em um mundo que ainda não tinha me encaixado. Queria ser salva, mas nem sabia de quê. Tentando me encontrar, cheguei a colocar a responsabilidade de me dar respostas nas mãos de tanta gente. Tantas, que assim como eu, também estavam sem rumo. Tudo isso só me deixou mais perdida. Foram muitos não(s), muitas faltas de respostas e becos sem saída. Não encontrei o que queria nas pessoas, e, muito menos, na responsabilidade que dei a elas de me salvar, de me amparar.

Foi quando me conectei comigo mesma, que entendi que já estava aqui dentro o que eu tanto buscava fora. Que eu era a buscadora e a busca. E as ausências que eu sentia, a melancolia e a dor, poderiam ser preenchidas com amor próprio.


Entendi, que nada é por acaso, e que se tivesse tomado certos rumos em outros tempos ou se tivesse encontrado o que achava que estava buscando, não estaria aqui, já seria outra. E que fui meu próprio espelho e amparo por todo o trajeto. Que precisei murchar pra virar semente de novo e fazer brotar uma flor no meu peito. Que precisei me perder para me encontrar, que ainda me busco, mas meu “GPS” já não procura mais colos que não lhe acolhem, pois sabe que é possível renascer por si. Que feridas abertas podem ser curadas se a gente parar de cutucar. Que o que foi, era pra ir, e pronto.


Não há o que fazer, e nem vale tentar entender o que não se tem resposta. Que fazer silêncio faz bem à alma e nos conecta com a nossa essência. Hoje, me acolho com o amor genuíno que mora em mim, e me amo o suficiente pra saber que já fui forte por me permitir fraquejar, e que ser vulnerável é uma virtude a qual não quero largar.


Se esse texto disse algo ao seu coração, deixe seu comentário e compartilhe com as pessoas a quem você acredita que ler isso faria bem. Terei prazer em responder você!




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