• Leidyanne Fernandes

DONA MENININHA


Faz um tempinho que me mudei para um novo lar, e foi inevitável me encantar com as novas vistas da janela. Dia desses, um alguém me chamou a atenção de forma singular. Uma senhora, conhecida pelos condôminos como Dona Menininha. Sem que eu precisasse abrir a janela, já pude notar a força da sua presença, cumprimentando a todos os distraídos, ansiosos, tímidos, crianças, desavisados... Com um riso solto e alma leve, de quem não liga demasiadamente para a opinião alheia, e de que tem coisas lindas para contar.


Pensei: Que propício! "Dona Menininha"! A idade não envelheceu sua vivacidade. Certo dia, a vi ajudando crianças a brincar de pique-esconde:


—"Fique aí!", "Vá um pouco para lá!", "Vai ficar contando a vida toda?"... Eu nunca vi um adulto brincar com tamanha sinceridade.


Certa vez, ela contou uma história. Não foi para mim, eu estava olhando a vista da janela. Falava sobre um tapete fino e um lugar requintado, onde ficavam pessoas que tinham muito dinheiro. De maneira simples, ela me fez refletir profundamente. O fato de ter muito dinheiro pode fazer alguém ser ouvido mais, ou menos? Será que quem tem dinheiro demais precisa fazer muito esforço para ser notado? Será que o conforto de ter muito e um tapete bem felpudo pode aquecer o coração?


Em mim, fica essa série de questionamentos, mas não restam dúvidas de que não é preciso muito para ser especial. E a Dona Menininha já tem um espaço exclusivo no condomínio e na minha memória. Com seu chapéu, saias longas, riso aberto e fala descomplicada, ela vem sendo jovial como nunca visto por mim antes.



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