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  • Flávia Carvalho

DE CORPO E ALMA


O corpo é sábio, ele aponta a direção.

E no primeiro comunicado da alma, ele, logo, reage à emoção.

Basta uma palavra ouvida ou omitida; basta um olhar bem olhado ou desviado.


Ele instantaneamente capta o que a alma já reconheceu.

E foi assim que um frio na barriga apareceu.

Coração palpitante, respiração ofegante, expressão paralisante.


O corpo fala a todo o momento como é que você está.

Se a dor no ombro aparece e insiste em ficar,

É hora de perceber que algo está me impedindo de voar.


E quando aparece aquela vontade súbita de correr, é o corpo gritando pra se mover.

É preciso a energia liberar, fazer o ar circular,

deixar espaço surgir, fazer o peito se abrir.


Às vezes, você pode até na hora não perceber o sinal ou achar que é algo frugal.

Mas o significado pelo corpo relevado é algo que se deve tentar descortinar.

Parar para com calma esse momento observar, se entregar e no sentir confiar.


Ainda que eu não saiba o porquê ou exatamente o que ele quer dizer,

Não ignore a sabedoria do corpo, mas sinta o que ele tem pra te oferecer.

Respire no local onde apareceu aquela reação,

não fuja de ficar frente a frente com essa sensação.


Se há algo a me pesar, posso, por um instante, soltar, por um minuto, parar de carregar

E, facilmente, testemunhar o bem estar voltar.

Pode ser que você queira mais um pouco segurar.

Talvez até tenha medo de olhar para o que ele quer te mostrar.


Mas há uma guiança que não se pode duvidar.

Não perca tanto tempo querendo só questionar.

Nem se prenda ao que o outro tentou para você decifrar.

A resposta que deseja é você quem tem que encontrar.


É chegada a hora da decisão, de escutar a voz do seu coração.

De perceber o desejo da leveza querer aparecer,

De desapegar da adrenalina que a espera pela dor pode promover,

De abrir mão da sensação de que tudo pode controlar e resolver.


Se renda aos sinais da alma entregues ao seu corpo-templo com delicadeza.

Não se esqueça do quão sagrado é este lugar, perceba quanta beleza.

Não o deixe tanto tempo naquele estado de mendigar.

Não o queira negar e fazer dele um fardo pesado a se carregar.


Toda vez que o corpo falar, aproveite a oportunidade de se reconectar.

Vá com calma para não atropelar a alma.

Confie na sua capacidade de discernir,

acredite naquela primeira impressão que surgir.


Ouvir o que chamam de intuição pode ser o caminho mais curto para a autorrealização.

Cada vez que ela é reconhecida, uma barreira dentro é removida.

Mais próximo consigo chegar do que antes o medo me fazia longe ficar.

Então, posso de novo me amar e mais uma vez, de corpo e alma, à vida me entregar.




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