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  • Aruane Amorim

DA RIDÍCULA IDEIA DE NUNCA MAIS TE VER A TE TER SEMPRE COMIGO


Foi num dia 28. Das coincidências da vida, 28 era o dia do seu nascimento e se tornou o dia da sua partida aqui da Terra.


Lembro-me do telefone tocar no meu trabalho e escutar a voz da minha irmã, uma de suas filhas, a me dizer: “Aconteceu, ele acabou de fazer a passagem”.


Foi no dia 28 de dezembro de 2010. Eu tinha levado você no dia 22 de dezembro ao hospital – para internação – mas, após um ano de sua cirurgia e passos para frente, outros para trás, da sua recuperação; acreditava levemente que só seriam mais uns dias de recuperação no hospital. Até porque, você era mestre na arte da fé, da tranquilidade e da resiliência.


Uma descarga de choro me acometeu após o término da ligação. Confesso que não durou mais do que 10 minutos, e sob o olhar perplexo das colegas de trabalho, lembrei-me de como você tinha calma e acalmava a todos.


Peguei o carro e fui direto fazer aquilo que tinha me preparado, sem eu perceber, durante o ano de 2010 - ano em que abdiquei do consultório, para ficar na administração daquilo para o que você se empenhou durante toda a vida: a empresa de representação de transportes - saber que, na vida, apesar do sofrimento, existem coisas práticas e racionais a fazer: tirar dinheiro do banco antes do atestado de óbito; ligar para as empresas que você representava, bem como, para familiares e amigos dizendo da sua passagem.


Algumas ligações foram fáceis - por falta do afeto; outras muito dolorosas... Mas, algo em mim, que naquela época não percebia, se movia sem explicação.


Lembro-me das preocupações de muitos quanto a minha pessoa, no velório, devido a nossa ligação, e meu lado sempre mais afetuoso e sensível com todos. Por incrível que pareça, só chorei quando recebi a notícia, e depois, não caíram mais lágrimas. E, sim, a sensação de que não era justo você continuar por aqui sem sua liberdade de ir e vir.


Em 2014, me casei. E, naquele dia, comemorando, ao pegar o microfone pra dizer poucas palavras de agradecimento, desabei. Só falava de ti. Acho que vivi o luto ali, ao mesmo tempo em que dava um pontapé na nova caminhada da vida.


Recebo mensagens suas... Sinto a sua presença... Sonho contigo... E já identifico muito das minhas escolhas em suas características.


A ideia do nunca mais se transformou em você por perto.






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