• Ana Reis

COMENDO SUAS EMOÇÕES!


Você já pensou qual significado da comida na sua vida? Como ela te afeta? Quais as rotinas ela envolve? Como te conecta a outras pessoas? Para muitos, a primeira mensagem que vem à mente é de um hábito alimentar básico, rotineiro, nada além do necessário para a sobrevivência. Mas, além de todos esses pontos fundamentais, ela também pode desenvolver gatilhos mentais e físicos associados às suas emoções.


Em Minas Gerais, a comida é uma referência nacional e mundial que aguça paladares, sentidos e imaginação daquele que a degusta. O que faz com que os mineiros sejam referência na produção e degustação de um dos melhores alimentos produzidos. No âmbito familiar, nas nossas vivências pessoais, sempre há alguém que nos marcou de alguma forma por meio da culinária. Com certeza, você se lembra de algo, ou alguém que fez ou faz um alimento indescritível para você! Nessa hora, a mente voa, te leva à infância, adolescência, em momentos que marcaram sua história por meio da memória olfativa. Ela te conduz a um cheiro único de um lugar, um visual único e o contato imensurável com uma pessoa e um prato especial.


Um bolo de vó, uma comidinha que só sua mãe sabe fazer com aquele sabor especial, o prato que uma amiga sempre faz quando você a visita, um bar que vai te fazer lembrar de um tempo ou alguém que marcou sua vida pelo alimento que partilharam! O que faz com que, naturalmente, a relação com a comida envolva reuniões de família regadas a bons pratos, e, faz com que um simples encontro de amigos vire uma celebração gastronômica, principalmente pelo afeto envolvido e associado ao hábito de comer!


Para muitos, esse hábito de comer extrapola as emoções, fazendo com que projetemos nela o alívio, a descarga de estresse diário, a angústia de algo realizado, suprindo espaços que vão muito além da fome! Sabe aquele dia de caos em que você abre a geladeira e devora algo sem sequer perceber? Ou a compulsão mascarada de felicidade de uma conquista, uma superação? É disso que estamos falando, o quanto uma limitação e gatilhos emocionais fazem com que o uso da comida passe a suprir algo e sabotar essa relação saudável com o alimento, impactando diretamente no seu físico e emocional.


Uma das frases que mais impactou minha trajetória é “A fome emocional não pode ser suprida por alimentos”! Eu logo pensava: Eu? Não trato os alimentos como fuga de forma alguma, até porque, sempre pratiquei atividade física é só queimar as calorias e está tudo certo. Nunca foi algo pensado por mim, pois a prática de atividades sempre me despertou um acolhimento, construído é claro, mas, mascarando esse vínculo com o alimento!


Se fossem contabilizados os traumas da vida escolar, o contexto de exclusão por inúmeros fatores (e olha que eu sempre tive um grupo coeso de amigos) eu estaria obesa aos 15 anos por comer todas as minhas emoções! Nesse caso, o esporte me salvou, mas, e os adolescentes que não praticam atividades físicas, onde projetam seus gatilhos? No alimento! O Brasil é um dos países com maiores índices de obesidade do mundo, com mais da metade da população inserida no contexto de obesidade, inclusive a obesidade infantil, e não podemos fechar os olhos para isso!


E como lidar com tantas ofertas de prazer culinário sem fazer disso uma grande fuga? Eu amo cozinhar, não só pela prática em si, mas, acolho e projeto sentimentos enquanto produzo cada alimento e compartilho a comida como uma forma de afeto. E, com muito cuidado para que esse impacto pessoal de prazer não instigue nas pessoas somente esse amor compulsivo, que busca suprir lacunas. O alimento vai muito além da produção, do visual, do prazer, mas, é uma linha tênue entre o cuidar e comer suas emoções!


Depois que se passa por um quadro de obesidade ou algum distúrbio envolvendo riscos à saúde, instintivamente há uma ambiguidade entre amor e ódio, pois, se descobre e toma consciência de algo que te alimenta, mas, também te destrói pelos seus excessos. A grande limitação e transposição é ressignificar o alimento em sua totalidade, enquanto fonte de energia, sem excessos, como grande potência que te leva a lugares na memória, capaz de produzir um prazer imensurável, somente pela lembrança, pelo cheiro e pelo tato. É fácil? De jeito nenhum! Mas, quem disse que seria?


Sabe aquela máxima que você é o que você come? No meu caso eu me construí, reconstruí, destruí pelos alimentos e hoje sou produto de algo que não soube fazer grandes escolhas no passado, mas que tenta por meio das cicatrizes físicas e psicológicas ressignificar esse corpo e essa relação com o alimento. Foram muitos processos, até entender, com o auxílio de uma grande psicóloga que me acompanha, que se não aprender a acolher minha emoções elas vão buscar abrigo nos excessos, seja no alimento, no álcool, no sexo, na religião, no consumismo, e, em tantas outras formas de fuga. Lembrando que independente do destino, nada em excesso faz bem!


Hoje, vim mostrar para vocês um chêro da minha experiência, das minhas cicatrizes, da sombra que se acopla sobre nós utilizando o prazer de comer e seus impactos! Contextualizando sobre as observações sociais, pois, enquanto socióloga só consigo pensar no todo a partir da minha singela experiência de vida, seus impactos positivos e negativos na alimentação. E você, está comendo suas emoções?


Compartilhe comigo sua história, sua percepção. Afinal, quando eu conto algo, eu toco alguém, e esse alguém me dirá algo que possibilitará novas reflexões e uma grande cura coletiva das nossas emoções e percepções sobre como ser melhor, despertando em mim algo melhor e partilhando para o mundo!


Espero vocês!


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