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  • Flávia Carvalho

AMOR DOAÇÃO


Crédito da foto: Tiago Gomes



A intenção era que o ano fosse do amar.

Com essa sensação, queria ao final de 2020 chegar.

E foi assim que vivi, mês a mês, sem medo de me entregar.

Me lançando, mergulhando, acreditando no que minha intuição estava a me falar.


A cada possibilidade de mais um tipo de amar experimentar,

Não conseguia resistir. Me encantava! Me convencia! Sentia que mais longe tinha que ir.

Resolvi, então, abrir a porta do meu lar para o “amor doação” entrar.

Frente aos questionamentos da mente, desviei, confiei e segui, sem duvidar.


Era tão gostoso, de perto, sua inocência e autenticidade observar.

Parecia tão inofensivo que, sem nem muito pensar, resolvi, logo, todo meu coração ofertar.

Nunca fui mesmo de, em águas, só o pé molhar.

Sempre me joguei para todo o corpo, e até a alma, encharcar.


Os primeiros dias dessa interação foram de muita emoção.

Risadas, carinhos, meu cuidado, minha atenção.

Não queria que esse amor se sentisse mais preterido, como supus que já teria sido.

Será que por me ver nele, o elegi como o preferido?


Tudo parecia caminhando bem estar,

Algo que facilmente eu conseguia dominar.

Foi então que decidi a ele minha liberdade apresentar.

Mostrei o que tinha de mais precioso, o que sentia me sustentar.


Foi aí que vi algo inesperado surgir: um incômodo, um sufoco, algo que não cabia em mim.

Como esse amor podia roubar o que de mais valioso eu tinha a me ancorar?

Porque ele resolveu minha paz levar e me fez acuada em um canto ficar?

Será que ainda não era hora de para esse amor me doar? De abrir mão, para também ganhar?


O imprevisível amor doação fez tamanha bagunça no meu coração, que não pude suportar.

Colocou em risco minha atual verdade, algo que demorei para conquistar.

E, o que eu tinha para a ele ofertar, tornou-se pouco diante do dia a dia que estava pra chegar.

E o que parecia em ordem a me aconchegar, agora era caos, perdi meu lugar.


Como faço para respirar conseguir, se comecei a aprisionada me sentir?

Se me desconforta nem mais a lua poder admirar, como serena posso dormir e, então, sonhar?

E se esse amor doação me forçar a ficar em um lugar que não quero estar?

Será capaz de entender o não, como um fôlego pedido pelo meu coração?


Depois desse amor experimentar, algo aqui dentro forte começou a pulsar.

De autorrespeito eu devia me nutrir, para tudo poder livremente dentro e fora bem fluir.

Esse amor também veio me dizer que, para o “dar e receber” equilibrado acontecer,

Expectativa não se deve ter, mas, sim, a percepção do merecimento da plenitude do meu viver.


Contudo, terminei o ano com a sensação de ter vivido o que era minha primeira intenção.

Foi ao me deparar com a clareza, melhor amiga da decisão,

Que descobri a verdade pulsante em meu coração.


Há, então, uma receita pronta para o amar ou uma direção e hora certa para com ele me encontrar?

Não! Coragem é simplesmente o que se deve ter,

Pois com ela é possível tornar realidade tudo o que já está pronto para acontecer.













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