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  • Carla Kirilos

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS


Sim, finalmente nos despedimos de 2020. Um ano, sem dúvidas, inesquecível para a maioria das pessoas, pela quantidade de turbulências enfrentadas em todo o mundo, devido a pandemia que chegou inesperadamente e praticamente obrigou a todos saírem de suas zonas de conforto e se reinventarem. Como fomos desafiados em 2020! E, um sentimento que pairava no ar é que depois de tantos aprendizados as sociedades ficariam mais humanizadas, valorizando mais o ser, do que o ter. Será?


Eis que chega 2021, e o que vi foi um espetáculo de falta de consciência coletiva e total irresponsabilidade com a própria vida e também com a dos outros. Nada humanizado!


As cenas mostradas, independentes de classe ou nível social, das aglomerações em praias, em festas clandestinas, em bailes ao ar livre e em shows foram, no mínimo, inacreditáveis, considerando que ainda estamos enterrando muitos brasileiros vitimados pelo COVID. Só aqui no Brasil, já são mais de 203 mil pessoas mortas por esta doença.


No entanto, algumas perguntas estão martelando na minha cabeça. Qual valor damos à nossa vida? E à vida dos outros? Por que viver e agir como se o outro não tivesse importância?


E quanto mais penso nisso, mais concluo que as respostas estão no viés hedonista que tomou conta da humanidade. É quase como se tudo valesse na busca por prazeres imediatos sem medir as consequências ou pensar no outro.


Hedonismo é uma filosofia de origem grega que produziu reflexões sobre o que é uma vida feliz. Essa palavra vem do grego hedoné, e coloca como objetivo central a busca do prazer e a fuga das dores. Portanto, a sensação ou o prazer constituem o princípio para alcançar a felicidade. É importante lembrar que definir o que é prazer e o seu papel na felicidade humana é uma discussão pertinente na filosofia hedonista, independentemente de sua vertente. Desse modo, nem sempre o hedonismo precisa vir carregado com um peso moral negativo. No entanto, é inegável o seu papel para suscitar discussões sobre a vida contemporânea e como lidamos com o prazer já que não há nada mais normal do que tentar buscar o prazer em todas as atividades da vida.


A grande questão é que é impossível atingir um nível de prazer total em 100% do nosso tempo. A vida é feita de momentos felizes sim, mas é também recheada de dificuldades, desafios, momentos de dor, incerteza e desconforto. E como o prazer é viciante, o hedonista se transforma em um caçador de pequenos prazeres, todos com curta duração. E, nesta busca, vale tudo. Mas será que vale mesmo? E quem irá se responsabilizar pelas consequências?


Sei que o prazer pode ser viciante e motivador. Mas creio que viver somente do prazer não é sustentável. Defendo a ideia de que o segredo é mudar o nosso jeito de encarar a vida e buscar o prazer também em atividades e práticas que não estejam centradas apenas em nós mesmos, mas procurando dar ao outro que nos cerca, um protagonismo. Afinal, todos importam! E realmente não é certo que o justo pague pelo pecador.


Independente de como ou quem ajudar, o importante é praticar o bem. E isto também significa não aglomerar, usar máscara, higienizar bem as mãos. Isto é cuidado. Com a gente e com o outro.


Há, na Bíblia, uma passagem que deveríamos refletir e praticar. Está escrito: "Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros.” (João 13:34)


Em meio a toda essa crise que ainda estamos enfrentando, colocar-se no lugar do outro e demonstrar por ele amor e cuidado pode ser um dos caminhos a ser utilizado para tornar o mundo, um lugar melhor para viver e conviver. Eu não perco a esperança. Que tal amarmos mais uns aos outros?














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