• Ana Reis

A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO


Ao pensar a necessidade de nomear pessoas, objetos, animais e lugares, como são coisas importantes e seus processos, nos enveredamos por uma grande teia sem fim. Na antiguidade, os nomes eram considerados formas de identificação, sendo essas, associadas a significados especiais que tinham relação com as circunstâncias do nascimento, do local, da aparência da criança, seu futuro e significado baseado em perspectivas proféticas.

Ou seja, o nome representava a personalidade do indivíduo, sua honra, seu caráter e todas as projeções de desejo e expectativas do outro. Uma construção que idealiza o sujeito e sua representatividade para o mundo. Na atualidade, muitas vezes, a escolha de um nome é baseada na homenagem a alguém querido, uma novela, uma música, um sonho - são várias as possibilidades - ou simplesmente, gostam do nome e esperam que o filho seja vetor da emoção que se guarda no peito. Sendo assim, envolve o desejo do outro e grandes expectativas. Talvez seja incompatível com sua personalidade, seus trejeitos, mas, ele te acompanhará pela vida toda!


Socialmente, somos instigados a buscar palavras, signos, para nomear, classificar tais processos vivenciados. Carregar um nome, apelido, pode ser para muitos um tormento, uma designação, um status de vida, que muitas vezes é recebido, e pode acompanhar por uma vida toda. Se for um apelido, então nem se fale, aí cola igual chiclete! Você pode ser conhecida como a filha de fulano, a namorada de, a divorciada, a desempregada, a mais competente do trabalho, a beneficiária de, a crente, a concursada, a loirinha, a empresária, a lésbica, a gorda do escritório, a gostosa do apartamento tal... Para o externo você sempre será várias coisas. Muitas vezes uma referência positiva, ou algo que lhe estigmatiza, termo pejorativo, maldoso. Algumas vezes, pode ser reflexo do que se passa dentro do outro e internalizado por meio de luz, incentivo, elogios ou ressentimentos e angústias despejados em você! Essa semana uma reportagem me chamou muito a atenção, pois apresentava uma ação judicial trabalhista movida por um ex-funcionário que foi apelidado dentro de uma empresa.


Me fez pensar como o apelido, uma coisa tão comum na nossa cultura, às vezes, tem esse papel de gerar afeto, mas, muitas vezes é gerador de angústias e estigmas. O funcionário que moveu o processo era apelidado de “Idi”, que é a abreviatura de “Idi Amin” gorila muito conhecido e querido por ser referência no zoológico de Belo Horizonte, falecido em 2012. Para o desembargador atuante no processo do Tribunal Regional do Trabalho, foi uma prova de que a empresa era negligente com a situação preconceituosa, humilhante, e omissa ao não garantir um ambiente de trabalho saudável para seu empregado. A empresa deverá pagar o valor de quinze mil reais ao ex-funcionário, valor simbólico diante do impacto na vida desse funcionário, do preconceito e todo transtorno gerado. Mesmo com a sentença definida, a empresa alegou que o ex-empregado nunca se mostrou incomodado com o tratamento oferecido pelos companheiros de trabalho, que era uma coisa normal naquele ambiente, uma brincadeira sem ofensas.


Outro ponto que percebemos claramente é como várias instituições degradam o funcionário de várias formas, e sequer se dão conta, ou consegue reconhecer o estrago feito na vida da pessoa. Esse dinheiro jamais suprirá as marcas que se instalaram na vida desse ex-funcionário, nos transtornos gerados, a exposição, o julgamento. Mas, esse processo mostra um avanço e necessidade de reconhecimento da justiça, e , principalmente, a necessidade de ruptura quanto à nomeação de termos pejorativos direcionados a uma pessoa. Do impacto de constrangimento, humilhação, seja no ambiente de trabalho, familiar ou externo.


Esse exemplo me veio de forma tão clara à mente, diante da necessidade de dizer sobre as formas de ressignificar o amor próprio por meio de reforços conscientes, valorização, e a extrema importância da tomada de decisão! Esta última, é a grande chave para passar por processos de penumbra em busca da luz pessoal e da acolhida. A comunicação não violenta (ou CNV) é uma ótima oportunidade, uma chave para a mudança e conexão, pois trabalha a observação, sentimento, necessidades e pedido. Mas, esse já é tema para outro texto e outra grande reflexão sobre esse grande desejo de conhecer a nós mesmos.


Ao assistir a uma palestra sobre padrões de pensamentos e emoções, fiquei a reflexiva sobre a importância dessa construção social que nos é apresentada e carregada de tantas crenças limitantes. Crenças essas, que nos impedem de enxergar nossos reais valores, potências, perspectivas e a construção de nossos próprios antídotos. Com o intuito de construção de nosso autocuidado e reconhecimento das nossas emoções, pois, as mudanças pessoais são reflexos das mudanças que nós queremos ver no mundo. Cada manhã é uma oportunidade de mudança, mas, ela envolve responsabilização e maturidade para mudar e impactar no todo. Você está preparado?


Compartilhe o texto com os amigos, conhecidos, e quem mais você avaliar que seja importante, pois, as palavras acolhidas são vetor de transformação na vida das pessoas. Acompanhem meu trabalho no @fotografiasquepulsa e @doulaanareis, são espaços tão queridos como aqui, o blog, e claro, agentes de afeto!


Destaques
Arquivos
Siga-me