• Isa Mota

A GRANDE TEIA - Educação e amizade


Imagine uma teia, uma rede.


Quando escolhi a área educacional imaginei que o sistema era assim, como uma rede, uma teia, fio a fio tecida com muito esmero e carinho. Com o passar do tempo, fui percebendo que não era bem assim.


É uma teia, realmente, mas cada fio puxado, esticado, amaciado, colorido, desbotado, tensionado, relaxado, por cada setor dentro dessa teia, atua de acordo com seu ego, sua conveniência e/ ou responsabilidade.


Dividido em três metropolitanas, A, B e C; cada uma com uma forma de executar suas demandas. Documentos utilizados para o mesmo fim são elaborados de formas diferentes. Entendimento diferente para a mesma resolução e orientação. Explicação diferente para assuntos iguais. Imaginem num universo de aproximadamente 16.609 escolas?


Precariamente. Impossível funcionar de forma satisfatória.


Nessa reta final das atividades remotas para o fechamento do ano letivo de 2020 nas Escolas Estaduais de Minas Gerais, com tantas orientações da SEE, consigo ver, infelizmente, que continuamos, no “país da fantasia”, o mundo do faz de conta. Todos trabalharam muito e saímos com a impressão de não ter avançado, nem um pouco, a caminho da vitória.


E seguimos, “Contando com oficiais despreparados em seu exército, escolhidos de maneira indiscriminada, ignorando o princípio básico de adaptação às circunstâncias. Isso abala a confiança da tropa.”


“Estando o exército inquieto e tendo os soldados perdido a confiança, certamente os outros príncipes feudais criarão problemas. Isso é desorganizar o exército e desperdiçar as chances de vitória”.


Precisamos refletir sobre qual será o papel da escola pós-pandemia, diante da certeza de que a escola nunca mais será a mesma.


O mundo virtual agora é real na escola. Qual o papel de gestores, coordenadores, supervisores, professores, pais e alunos?


Haverá lugar para “conteúdismo”?


Na semana do recesso de natal, em conversa com uma amiga, Maria Lilian Chagas, maravilhosa professora de História, cuja amizade tecida fio a fio, vamos construindo conhecimento e reforçando os laços, dividindo angústias, preocupações, e também muitas alegrias durante nosso percurso educacional, em módulo II (kkk), discutíamos sobre qual seria o novo papel da escola diante do desempenho mostrado pelas famílias perante ao ensino remoto. O pouco compromisso com a educação dos filhos, a negligência perante as primeiras dificuldades. Chegamos à conclusão de que a crise das famílias é de amor. Só o engano sobre amar faz com que pessoas abandonem o cuidar de alguém.


“Pais se sentem incapazes de educar os filhos”.


Sabemos que as escolas que dão certo são aquelas que os pais e/ ou responsáveis são os protagonistas da educação. Em recente pesquisa realizada em Belo Horizonte, com mães de alunos do ensino fundamental e médio, citada pelo diretor pedagógico do Colégio Porto Real do Rio de Janeiro, Sr. João Malheiros, em entrevista à ONG Brasil Paralelo, 90% das mães não se sentem amadas por seus filhos. Preocupante!


Uma reflexão se faz necessária para todos que atuam em escolas. Em primeiro momento, ajudar esses pais a encontrar o caminho de como “ser pais”, perante a escola.


Nunca ficou tão claro o papel da escola de formação em lugar de informação. Ganhamos mais uma tarefa.


Como fazer? Não sabemos. Ainda.


A única certeza é de que temos que estar preparados para esse novo desafio.


É preciso atualizar-se, comprar equipamentos, aprender sobre as novas tecnologias. Sem esperar auxílio do sistema educacional do nosso Estado, pois, sabemos que não podemos contar com esse “milagre”, diante do quadro político de Minas Gerais. Não é mais uma “brincadeira” que vai passar e voltaremos à nossa zona de conforto. Nesse 2020 nunca se viu tanta solidariedade de colegas dentro das escolas. Quem não sabia, teve muita ajuda de quem possuía o conhecimento, realizando trabalhos que não lhes competiam. Tudo era novo. Todos assustados e inseguros. Uma troca linda!


“Em conclusão, é preciso saber que existem aspectos essenciais para a vitória”:


a) “Saberá vencer aquele que souber lutar e quando evitar a luta”


b) “Vencerá aquele cujo exército estiver imbuído do mesmo ânimo em todas as fileiras”.


A pandemia vai passar. 2021 já chegou. Nesse momento, o remo está em suas mãos. Reme ou cairá do barco ao enfrentar uma simples brisa.


Reme!


Referências:

Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais

Brasil Paralelo

Livro: A Arte da Guerra - Tradução: Cândida de Sampaio Bastos









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