• Isa Mota

GESTÃO DA EDUCAÇÃO EM MINAS NA CONTRAMÃO


Elementos críticos para a criação de comunidades de ensino inclusivo e eficaz.


(Mota. Maria Luiza, Inclusão e Integração na Escola, julho 2004.)


Os princípios da inclusão aplicam-se não somente aos alunos com deficiência ou sob risco, mas a todos os alunos. As questões desafiadoras enfrentadas pelos alunos e educadores nas escolas de hoje não permitem que se isolem e se concentrem em uma única necessidade ou em um grupo – alvo de alunos.


Todos os defensores da melhoria das escolas para melhor atender às diferentes necessidades dos alunos, devem unir-se e reconhecer o princípio de que as boas escolas são boas para todos os alunos e, então, agir com base nesse princípio.


Os elementos a seguir, são características que, quando presentes em uma escola e em um sistema escolar, contribuem para o sucesso de todos os alunos. Esses elementos são partes interdependentes da criação de uma comunidade bem sucedida, dinâmica, acolhedora e bem-informada, em oposição a componentes discretos e não relacionados. (Schaffner e Buswell, 1999 apud Stainback e Stainback 1999).


Primeiro passo: Desenvolver uma filosofia comum e um plano estratégico.


O primeiro, e, talvez, o principal passo para a criação de uma escola inclusiva de qualidade é estabelecer uma filosofia da escola baseada nos princípios democráticos e igualitários da inclusão, da inserção e da provisão de uma educação de qualidade para todos os alunos.

Por sua própria natureza, um sistema de educação inclusivo e de qualidade está voltado para as necessidades gerais do aluno, não apenas para sua realização acadêmica. Para que as escolas alcancem a ênfase no aluno em sua totalidade, sua filosofia básica deve ser a de uma educação vinculada e importante para cada aluno, abrangendo, pelo menos, três esferas do desenvolvimento: acadêmica, social e emocional. Além da responsabilidade pessoal e coletiva, e a cidadania. (Schaffner e Buswell, 1999 apud Stainback e Stainback 1999).


A definição da missão a ser desenvolvida por uma escola ou por um sistema escolar é o primeiro passo, e um processo de planejamento estratégico para que todos os alunos sejam bem recebidos e apoiados como membros totalmente participantes do processo ensino-aprendizagem, em suas escolas. Quaisquer discussões e planejamentos visando a reforma da escola devem incluir as pessoas que estarão diretamente envolvidas: alunos, pais, educadores, diretores, pessoal de apoio e membros da comunidade.


Segundo passo: Promover culturas no âmbito da escola e da turma que acolham, apreciem e acomodem a diversidade.


As escolas devem atender às necessidade sempre crescentes dos alunos em todas as áreas do seu desenvolvimento; elas devem ir além do seu enfoque tradicional, centrando unicamente na aprendizagem acadêmica básica.


Terceiro passo: Desenvolver redes de apoio.


Devido à variedade das necessidades dos alunos nas turmas e nas escolas de educação regular, é importante desenvolver redes de apoio na escola tanto para professores quanto para alunos que precisem de estímulo e assistência.


Quarto passo: Usar processos deliberativos para garantir responsabilidade.


Os elementos-chave para o sucesso envolvem o reconhecimento:


  1. da importância de um processo de planejamento deliberado contínuo. As equipes precisam reunir-se regularmente, para que o apoio ao aluno possa ser sistematicamente monitorado. Se surgirem situações desafiadoras, a equipe deve estar capacitada para modificar o plano, de maneira oportuna e eficiente, evitando a ocorrência de uma crise na busca de soluções;

  2. da importância de focalizarem-se as potencialidades dos alunos;

  3. da importância de incluir os pais e os alunos como membros, participantes do apoio;

  4. da importância de um enfoque contínuo ao atendimento.


Quinto passo: Desenvolver uma assistência técnica organizada e contínua.


Quando os educadores são solicitados a implementar práticas educacionais que se afastam significativamente de suas abordagens e práticas tradicionais, podem sentir-se inadequados e carentes de formação, informação e apoio.


Um plano efetivo de assistência técnica deve incluir:


  1. funcionários especializados de dentro e de fora da escola para atuarem como consultores e facilitadores;

  2. uma biblioteca acessível com materiais atualizados, recursos em áudio e vídeo que enfoquem a reforma da escola e as práticas de educação inclusiva recomendadas;

  3. oportunidades para os educadores que apoiam os alunos se reunirem para tratar de questões comuns e ajudarem uns aos outros no desenvolvimento criativo de novas estratégias;

  4. oportunidades para os educadores novatos em práticas inclusivas visitarem outras escolas que tenham implementado a educação inclusiva em conjunto com esforços de reforma da escola;

  5. oportunidades para os professores aumentarem suas habilidades, observando, conversando e moldando suas práticas com colegas mais experientes no apoio a alunos nas salas de aula de ensino regular.

Sexto passo: Manter a flexibilidade.


A flexibilidade tem amplas implicações nas discussões sobre como construir escolas de qualidade, que incluam todos os alunos.


Sétimo passo: Examinar e aditar abordagens de ensino efetivas.


Educar eficientemente alunos com diferentes níveis de desempenho requer que os educadores usem várias abordagens de ensino para satisfazer às necessidades de seus alunos. Os professores frequentemente necessitam fazer uma reavaliação das práticas de ensino com as quais se sentem mais à vontade, para determinar se estas são as melhores maneiras possíveis de promover a aprendizagem ativa de resultados educacionais desejados para todos os alunos da turma.


Oitavo passo: Comemorar os sucessos e aprender com os desafios.


É importante que os sistemas escolares cultivem a capacidade dos membros do seu pessoal de pensar criativamente:


Nono passo: Estar a par do processo de mudança, mas não permitir que ele o paralise.


A teoria da mudança é, às vezes, usada pelos professores como base para o processamento de novas práticas nas escolas. Acredita-se que a mudança só pode acorrer em pequenos avanços e que a aceleração do processo pode fazer com que os indivíduos rejeitem as novas práticas e sabotem os esforços de reforma.


A sensibilidade às reações dos indivíduos e das organizações que estão experimentando a mudança é importante.


O resultado mais prejudicial de conter a implementação da educação inclusiva, até que todos os indivíduos envolvidos estejam preparados, ou de implementá-la por fases, é que tais métodos ignoram a urgência da inclusão para os alunos, que não têm tempo a perder. Incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça social, que pode manter ou negar os valores professados como importantes pelas escolas e pela sociedade como um todo.




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