• Ana Reis

A CURVA DA FELICIDADE


Quando você lê sobre o termo “Curva da felicidade” o que passa no seu imaginário? Para mim, foi como um grande estalo que me levou a uma escala, uma retrospectiva que me fez pensar, inicialmente, sobre uma definição e sentimentos que envolvem o termo felicidade. Um leque de possibilidades se abriu para me mostrar como o imaginário social apresentado a nós sobre a construção e perspectiva de felicidade é, muitas vezes, apresentado por: Ter algo, conquistar alguma coisa, buscar uma posição, ter visibilidade para ser destaque em algo, ser um diferencial para... Mas, em que momento de nossas vidas entra a releitura e desconstrução necessárias para observar a felicidade sob um novo ângulo?


Já que, segundo o dicionário, a definição de felicidade é a qualidade ou estado de estar feliz; estado de consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar. Em algum momento você associou a sua felicidade somente ao seu estado de bem estar? Isso envolve a valorização somente do aqui e agora, do possível, da leveza que buscamos em tantos momentos de simplicidade nas nossas vidas?


Esse termo “Curva da felicidade” é devido a uma pesquisa realizada em mais de cem países, coordenada pelo economista David Blanchflower da Universidade de Dartmouth nos Estados Unidos, em que foi possível identificar como nos sentimos especificamente em três fases da nossa vida, constituindo, assim, a curva da felicidade: seu auge, decadência e sua ascensão.


Ver e ler sobre essa matéria me tocou profundamente por conseguir pensar sobre essa oscilação e grande onda que nos toma durante a vida. Principalmente porque, até esse momento, não consegui sequer me identificar com os padrões de comportamento e as fases citadas da curva da felicidade.


Exótica, atípica, fora dos padrões? A primeira fase é de plena felicidade e euforia intensa, vivenciada por volta dos 20 anos, descrita como a fase em que tudo é possível. Em seguida, a segunda fase, abrange um período em que o campo do possível se fecha, sendo massacrado pela rotina e pela falta de perspectiva. A terceira fase, chamada de o impulso de volta, que, no Brasil ocorre por volta dos 40 anos. Essa fase apresenta, para a maioria das mulheres, segundo a antropóloga Mirian Goldenberg, o momento de aprender a dizer não, reconhecer que o tempo pode ser utilizado para benefício próprio e não pelo e para o outro. O encontro ou reencontro com a liberdade tem um sabor e saber especial. Ver-se e se reconhecer no próprio corpo, também pode ser um grande embate ou uma grande busca por aceitação e autoperdão. É o período de descobrir quem é você!


Você já se fez essa pergunta? Eu já me fiz essa pergunta várias vezes e estou amando descobrir várias versões de mim. Pois, depois de tantos anos anestesiada em mim mesma, decidi me entregar às minhas metamorfoses para desfrutar dessa liberdade. Aprender a ter amor próprio, retomar projetos e construir outros, observar a maturidade com a beleza que ela carrega, ter responsabilidade sem cobranças e sem o martírio de dar respostas o tempo todo!


Vocês se lembram no início do texto quando eu disse que não me encaixava na pesquisa sobre a curva da felicidade? Disse isso porque, aos 20, eu não tive a euforia desse período, pois estava preocupada demais em ser o que os outros queriam ou esperavam de mim. E, diante da possibilidade de esperar as duas próximas fases que se seguem, eu decidi não esperar pela decadência da idade, da vida, do tempo, nem esperar o impulso da chegada dos 40 anos, para vivenciar essa ascensão da felicidade.


A pesquisa, entretanto, diz que a curva da felicidade é um padrão médio, não uma regra!


De uma coisa eu tenho certeza: nunca fui e nunca estarei no padrão. Não nasci para ser mediana, e cultivo diariamente a mudança. Nossa construção, manutenção e ascensão, nossa curva da felicidade, se encontra exatamente em fazer as pazes com nossa própria história!


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