• Renata Batista

SAINDO DO ARMÁRIO


Descobrir-se diferente deveria nos deixar felizes, não é? Afinal, a diversidade é algo rico e deve ser valorizada.


Mas nossa sociedade nos molda com a fôrma dela, tudo que é maior, menor ou com formato diferente ela reprova. Por isso, quando percebemos que não nos encaixamos nesta fôrma, fazemos de tudo para estarmos de acordo, e isso nos causa muito sofrimento.


Meu processo não foi diferente. Foram anos em busca de aceitação e conforto em dizer quem eu realmente era, afinal, não me encaixava no padrão heteronormativo em que vivemos. E vou ser bem sincera, a sociedade não perdoa!


Foram anos tentando me encaixar e entender. Naquela época, se eu pudesse ser diferente, certamente eu seria. Afinal, quem, conscientemente, iria querer ser xingada, desrespeitada, discriminada, quem gostaria de viver se escondendo como um fugitivo?


Eu não queria, sofri muito. Por longos anos pedi a Deus para tirar "aquilo" de mim.


Resolvi correr o risco! Risco de não ser amada e de ser rejeitada. Então aprendi que não era algo que precisava ser retirado de mim, é como a cor da minha pele, é a minha essência, é tudo que eu sou, minha existência.


Para todos os outros que se encaixam no padrão, a vida flui com menos dificuldade, mas para o resto de nós, além do pão nosso de cada dia, existe a luta por espaço e reconhecimento.


Quando enfim entendemos que não dependemos de aprovação para sermos, entendemos nosso sentido de liberdade.


Entretanto, nossa liberdade tem preço, às vezes, é a perda da família, do trabalho, de amigos. E quando alguém diz que ser homossexual é escolha, a pergunta é: quem escolhe perder?


Este processo é lento e depende de muitas variáveis, muitos de nós nunca conseguiram chegar a um lugar seguro. Por isso, precisamos do apoio das pessoas que são importantes pra nós, nossos familiares, amigos... Necessitamos também de políticas públicas de proteção, pois somos um dos países que mais agride e mata a população LGBT. Quando não temos onde nos apoiar a luta se torna mais difícil e solitária.


E, sabe de uma coisa? A nossa vida é mesmo diferente. Em situações comuns, quando somos nós os protagonistas, causa incômodo e estranheza. Andar de mãos dadas, abraçar, fazer um cafuné, dar um beijo ou qualquer outra manifestação pública de afeto, vem sempre acompanhada de um olhar de reprovação e por isso é, por si, um ato de resistência.


Estamos expostos ao xingamento e agressão, e mesmo assim, muitos de nós insistimos em mostrar que existimos, afinal, nosso direito foi conquistado com luta, muitos foram perseguidos, humilhados e mortos para que hoje eu pudesse ser casada, ter meus filhos e construir uma família.


Poder sair à rua e declarar meu amor por minha esposa é uma conquista que chegou até mim pela luta de outros. Por isso, não podemos desistir. Por isso, por mim, por minha esposa, por meus filhos e por muitos que virão. Eu luto!


E digo, por experiência, que fora do armário é liberdade SIM! E NÃO, você não está sozinho!


O amor é lindo demais e nossa expressão é diferente da maioria, mas é tão linda quanto os outros amores.


Ser amado por quem você realmente é, e não por quem você finge ser é sensacional!


O mundo não precisa nos engolir, apenas nos respeitar.


E afinal... Tudo bem ser diferente!



Se este texto fez sentido para você ou você se lembrou de alguém que deveria ler, compartilha. Para que possa acessar muitos que ainda não nos entendem e muitos outros que ainda estão perdidos.




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