• Mariana Veloso

LIBERDADE E RESPEITO



Você já parou para pensar em quantas vezes tentou ajudar alguém que não fosse você mesmo? Já refletiu sobre o número de vezes em que o seu ego falou mais alto e você se achou no direito de supor que as suas ideias e ações eram melhores para alguém? E, esse alguém nem era você mesmo.


A gente tem a terrível mania de querer salvar o outro dele mesmo, como se soubéssemos como seria a melhor maneira da pessoa conduzir a própria vida sem nem aceitarmos o processo natural. Sem respeitar o livre arbítrio e o processo de aprendizagem e evolução que essa pessoa precisa passar. Costumamos dizer: “Se eu fosse você faria... / Se eu fosse você não faria...”. Acho essa frase de um egoísmo gigantesco. Porque é uma tentativa imensa de controlar o que está fora, sendo que, muitas vezes, a gente não controla nem o que está dentro da gente. E, nem sabe o que é melhor pra gente mesmo.


"Se eu deixar de interferir nas pessoas, elas se encarregam de si mesmas. Se eu deixar de comandar as pessoas, elas se comportam por si mesmas. Se eu deixar de pregar às pessoas, elas se aperfeiçoam por si mesmas. Se eu deixar de me impor às pessoas, elas se tornam elas mesmas".

LAO-TSÉ (Citação de Carl Rogers, resumindo o princípio da Abordagem Centrada na Pessoa).


Ajudar alguém, não é mostrar qual o melhor caminho, pois essa é uma opinião baseada no nosso repertório de escolhas, consequências e experiências. Ajudar alguém é não podá-lo com os nossos ideais e suposições de que sabemos o melhor caminho, é deixar o sentimento de “superioridade” de lado e mostrar-se realmente disposto a acolher e compreender que aquele universo não é o nosso e, tudo bem. É estar disposto a dar as mãos e apoiar independente da decisão.


Mostramos respeito, empatia e compaixão quando não julgamos que as nossas ações seriam melhores e que respeitamos, mesmo que não sejam compreensíveis, as decisões tomadas pelo outro. Pois, são baseadas no amadurecimento que ele tem. E, essa talvez, seja a experiência pela qual ele precise passar para amadurecer e evoluir.


Muitas vezes, ajudamos e inspiramos alguém sem mesmo percebermos. Na vida a gente pode ser aluno e professor, todas as pessoas que passam pela nossa vida nos ensinam algo, mas aprendem conosco também. Por isso, abandone toda essa alta responsabilidade de querer salvar o mundo, sem ao menos perguntar se ele quer ser salvo e sem supor que sabe o que é melhor. Deixe que as decisões que não forem suas, sejam tomadas por quem elas pertencem por direito, é deixar que o outro tome nas mãos uma vida que é dele.


À medida que vamos aprendendo que não temos o controle de tudo e, que não podemos evitar nem o nosso sofrimento, que dirá o sofrimento alheio, entendemos que a vida ensina, sempre. Certa vez, ouvi uma mãe dizer a uma filha que lamentava por ela estar de coração partido, que entendia a dor, mas sabia que não podia impedir que ela tomasse as próprias decisões, pois foram essas que a mostraram sobre os seus limites e que toda dor ensina, mesmo que na hora a gente não entenda. Aprendemos pelo amor ou pela dor, e tudo passa... Crescemos e evoluímos na medida em que adquirimos as nossas experiências.





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