• Ana Reis

FOTOGRAFIA AFETIVA, CONSTRUÇÃO DE GRANDES HISTÓRIAS!


Com o avanço da tecnologia, produção fotográfica instantânea, manipulação de imagens e sentimentos no ambiente virtual, cabe a nós refletir sobre o real impacto das fotografias em nossa vida. Estética? Beleza? Sentimento? Visibilidade? Marketing? Com a exposição e produção em massa de imagens, a retomada da fotografia afetiva dá novo sentido a produção fotográfica e tradução das memórias afetivas. Mas o que são fotografias afetivas? São fotografias que dão novo sentido, abordagem e olhar sobre os registros, ao romper com a simples definição de captação de momentos e construção de grandes histórias.


Ao ver, tocar uma fotografia de infância, quais sentimentos e lembranças lhes vêm a mente? São poucos registros? Muitos? Quem as guarda? Quais os sentimentos lhe vêm à mente? Há resquícios de lembrança, histórias contadas pelas tias, muito amor envolvido? São essas e outras oportunidades que nos fazem pensar: Qual a importância da fotografia na sua vida? Já revirou seu baú em busca das suas melhores memórias?


Por isso decidi ilustrar esse texto com minha fotografia com um mês de vida! Ao perguntar para minha mãe sobre a foto, ela descreveu esse dia em cada detalhe, sobre como eu gostava de dormir, o banho, minha melhor roupa, sobre a comemoração pelo meu primeiro mês de vida. Como essa fotografia é marcante, pois foi a primeira vez que saí de casa... A fotografia tem esse poder, abrir grandes caixas nas nossas memórias e nos remeter, transportar para diferentes lugares no tempo e espaço, retomar sentimentos e reviver novamente a cada novo contato. Uma grande colcha de memórias, mosaico com a capacidade de conectar momentos, aflorar sentimentos e ser um grande facilitador na construção da história de cada um de nós.


Um dos motivos que me fizeram ter essa intensa paixão pela fotografia foi a ausência de fotografias que pudessem dizer da minha própria história. E de forma clara e receptiva me deparei com uma frase do fotógrafo Ivan de Almeida que traduz com clareza o sentimento envolvido “A vida fica nas fotografias, talvez a parte mais doce da vida!” A fotografia chegou à minha vida como uma grande oportunidade de preencher uma lacuna pessoal, de autoconhecimento ao perceber uma fragmentação das minhas memórias afetivas. E diante dessa ausência da minha parte doce da vida, sem possibilidade de retomar, fiz desse desejo minha profissão, e hoje eu registro pessoas e famílias para que essa ausência de memórias afetivas não possa afetar a constituição de tantas outras histórias!


Diante de tantas vivências, sabe qual a melhor parte do trabalho com a fotografia? Eu utilizo a essência mais pura de cada pessoa, seja em um ensaio feminino, masculino, nascimento, renascimento de cada mulher no parto, amor aflorado em um ensaio de família, na reunião de pessoas, seja em um batizado, aniversário, uma perda gestacional... O objetivo é o mesmo, registrar experiências de vida com o propósito de construção de um grande baú ou caixa de memórias! Cada pessoa que se propõe a ter imagens sabe que ali está seu tesouro e a compilação da sua própria história. Por cada grande história, eis-me aqui, contadora de memórias!


Se esse texto falou ao seu coração, deixe o seu comentário e compartilhe com as pessoas que você considera. Terei prazer em responder você!





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