• Beth Bretas

ÁRVORE FÊNIX


Um isolamento social inesperado chegou como solução imediata para salvar o homem, no ano 2020, Ano do Rato – esse primeiro animal do zodíaco chinês, que pelo fato de ser o primeiro dos 12 animais que compõem o calendário chinês, representa o ano dos começos.

Na cultura chinesa, seu elemento é o metal e ele é considerado o portador da prosperidade, pois é um animal inteligente, hábil, desbravador e procriador.

Sou alguém que lê previsões para o ano:

“Todos nós seremos influenciados por esses traços de personalidade em 2020... Será um ano tanto de solidão quanto de socializar bastante, porque o Rato não consegue viver sozinho, enquanto o Metal é frio, solitário e realista”.

E, então, vejo o mundo se renovar - querendo ou não querendo. Neste momento da humanidade em que todos estão entendendo a mensagem do invisível e implacável COVID-19.

O homem se aquietou. Dentro de uma quietude que não é absolutamente quieta - a vida continua com suas exigências. E, enquanto a sociedade permanece nos cobrando atitudes, meio atordoados, vamos abrindo novas possibilidades de sobrevivência, no agora.

Existe uma árvore em frente à minha casa que é um exemplo de nascer, morrer, renascer e morrer de novo, num ciclo sem fim. Todo ano, observo o período de morrer e renascer dessa árvore.

Um morrer de uma vez, não aquele lento, de folha por folha. Mas um de um sopro só: em que o chão se forra de folhas e ela fica nua. E renasce do mesmo jeito, da noite para o dia... Amanhecendo vestida de verde.

Esse espetáculo acompanho há 23 anos.

E como tudo está se renovando, descubro, hoje, depois de um comentário do meu filho, que a imagem única que vejo dessa árvore é, na verdade, dupla. Da ampla janela da minha cozinha, vejo uma copa larga, dando ideia de uma única copa.

Mas, na rua, fica claro, que são duas copas: uma da árvore da esquina e, a outra, da árvore logo após a esquina. Elas estão na mesma direção e se sobrepõem – é questão de ângulo.

Descubro que, durante anos, a olhei por um ângulo só e, neste momento, se fez verdade:

“Enxergamos o todo”.

Quanto às partes? Permanecem invisíveis!

Abri o portão para comprovar a existência das duas árvores. Comprovado. Voltei para a janela da cozinha e, na minha janela, a árvore permanecia única.

Haverá um tempo nesse processo. Haverá um processo de ressignificação da imagem. Haverá um intervalo entre a imagem antiga e a nova imagem.

“Tudo obedece ao tempo e terá sua própria organização. ”

Enquanto a pandemia vai matando milhões de pessoas, derrubando antigos valores e renovando a posição dos ângulos, nosso olhar vai se deparando com outras percepções no ano do Rato – o ano dos começos:

“Você escuta o som dos sonhos se quebrando? ”

CONFINASTÊ!



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